GOMES - 24-11-2007:
Louvável a iniciativa da deputada Terezinha Nunes, no sentido da instituição da data magna de Pernambuco. Esse blog fez um comentário a respeito do assunto em março de 2006 (veja abaixo ou clicando aqui ). O blog teve ainda a felicidade de sugeri-la como data que poderia ser a mais importante do Estado, e parece ter acertado novamente (vejam os resultados e votem no portal da Assembléia Legislativa). E viva a Revolução de 1817, que vai deixar de ser a revolução esquecida. Viva o 06/Mar. Viva Pernambuco!
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Sílvio Meira
GOMES - 18-11-2007:
E seu artigo de 10/112007, ( veja aqui ), o prof. Silvio Meira faz uma análise interessante a respeito do arcaísmo do modelo de negócios reinante nas teles (empresas de telefonia móvel), que segundo ele parecem ter sido escritos ainda por Graham Bell, em pessoa. Sinaliza que essas empresas podem estar aumentando seus lucros, em flagrante desrespeito aos consumidores, a partir da postergação do uso da Internet como plataforma para a comunicação entre os aparelhos celulares a elas (operadoras) conectados. “por que será que ainda estamos pagando por ‘ligações telefônicas’, se o telefone é ‘apenas’ mais uma das múltiplas aplicações que ‘rodam’ sobre as camadas de infra-estrutura e serviços da internet?”, dispara Meira. O artigo, como os demais artigos do blog de Sílvio Meira, é muito interessante. Interessante também é esse comentário de um leitor da matéria, o que anima muito a nós consumidores desses serviços tão caros: “Bem, de acordo com informações de um funcionário do Google Brasil (amigo meu), a empresa já está de olho nesse possível mercado. E as pretensões do Google incluem licenças internacionais para operar uma "telefonia gratuita" com base na plataforma internet. Se pagaria por uma assinatura mensal e não por troca de dados. Alguém duvida da competência empreendedora do Google?
E seu artigo de 10/112007, ( veja aqui ), o prof. Silvio Meira faz uma análise interessante a respeito do arcaísmo do modelo de negócios reinante nas teles (empresas de telefonia móvel), que segundo ele parecem ter sido escritos ainda por Graham Bell, em pessoa. Sinaliza que essas empresas podem estar aumentando seus lucros, em flagrante desrespeito aos consumidores, a partir da postergação do uso da Internet como plataforma para a comunicação entre os aparelhos celulares a elas (operadoras) conectados. “por que será que ainda estamos pagando por ‘ligações telefônicas’, se o telefone é ‘apenas’ mais uma das múltiplas aplicações que ‘rodam’ sobre as camadas de infra-estrutura e serviços da internet?”, dispara Meira. O artigo, como os demais artigos do blog de Sílvio Meira, é muito interessante. Interessante também é esse comentário de um leitor da matéria, o que anima muito a nós consumidores desses serviços tão caros: “Bem, de acordo com informações de um funcionário do Google Brasil (amigo meu), a empresa já está de olho nesse possível mercado. E as pretensões do Google incluem licenças internacionais para operar uma "telefonia gratuita" com base na plataforma internet. Se pagaria por uma assinatura mensal e não por troca de dados. Alguém duvida da competência empreendedora do Google?
Pernambuco, é ou não é?
GOMES - 11-11-2007:
Essa contribuição do meu amigo Dudu Coimbra:
Durante escavações nos EUA, arqueólogos descobriram, a 100m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.
Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu subsolo, encontrando restos de fibras óticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra ótica quando Jesus nasceu!
Uma semana depois, em Recife, foi publicado o seguinte anúncio:
"Após escavações arqueológicas no sub-solo de Recife, Brejo da Madre de Deus, Jupi e diversas outras cidades de Pernambuco, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas pernambucanos não encontraram nenhum tipo de fio de cobra ou cabos óticos, absolutamente nada.
Arqueólogos chegam a conclusão que os antigos pernambucanos já dispunham, há 5.000 anos, de uma rede wireless!"
Ô POVIN ARRETADO!!!
Essa contribuição do meu amigo Dudu Coimbra:
Durante escavações nos EUA, arqueólogos descobriram, a 100m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.
Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu subsolo, encontrando restos de fibras óticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra ótica quando Jesus nasceu!
Uma semana depois, em Recife, foi publicado o seguinte anúncio:
"Após escavações arqueológicas no sub-solo de Recife, Brejo da Madre de Deus, Jupi e diversas outras cidades de Pernambuco, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas pernambucanos não encontraram nenhum tipo de fio de cobra ou cabos óticos, absolutamente nada.
Arqueólogos chegam a conclusão que os antigos pernambucanos já dispunham, há 5.000 anos, de uma rede wireless!"
Ô POVIN ARRETADO!!!
Carlinhos Brow
GOMES - 11-11-2007:
No JC de hoje, José Teles escreve sobre o lançamento do novo disco de Brow, "A gente ainda não sonhou" ( veja aqui , para assinantes do JC ou da UOL). Por telefone, Carlinhos contou a Teles como conheceu, aos oito anos de idade, o compositor Michael Sullivan, então vocalista da banda Renato e seus Bue Caps, assistindo aos shows em Salvador com os ingressos doados pela mãe de Raul Seixas a um instituto de cegos da cidade: "naquele tempo eu ia com os ceguinhos para tudo quanto é show". A música "Te amo família" é uma das cerca de cem canções compostas em parceria com Sullivan, a quem considera o “hitmaker” brasileiro. Carlinhos tem passado a maior parte do tempo fora do Brasil, principalmente na Europa e América do Norte, onde consegue reunir platéias de até 200 mil pessoas. Na espanha é conhecido como Carlito Marrón . No novo CD Brow toca todos os instrumentos e assina todas as músicas, mas recebe a participação de Jaques Morelembaum em uma das faixas. O artista diz com, certa ironia, não conseguir entender o fato de ser o artista nordestino que mais recebe Ecad, sem que seus discos toquem nas rádios. "Goodbye hello" é a musica que abre o novo disco. A percussão no hit é feita com surdos virados, uma erudição de Brow, que dispensa baterias na faixa. Em "Marina dos mares" Carlinhos tenta reescrever "Marina", de Caymmi, cumprindo uma promessa que fez num dos aniversários do mito. O novo CD, segundo Teles, é um trabalho radiofônico e quase todas as faixas podem ser escolhidas para ser carro chefe.
No JC de hoje, José Teles escreve sobre o lançamento do novo disco de Brow, "A gente ainda não sonhou" ( veja aqui , para assinantes do JC ou da UOL). Por telefone, Carlinhos contou a Teles como conheceu, aos oito anos de idade, o compositor Michael Sullivan, então vocalista da banda Renato e seus Bue Caps, assistindo aos shows em Salvador com os ingressos doados pela mãe de Raul Seixas a um instituto de cegos da cidade: "naquele tempo eu ia com os ceguinhos para tudo quanto é show". A música "Te amo família" é uma das cerca de cem canções compostas em parceria com Sullivan, a quem considera o “hitmaker” brasileiro. Carlinhos tem passado a maior parte do tempo fora do Brasil, principalmente na Europa e América do Norte, onde consegue reunir platéias de até 200 mil pessoas. Na espanha é conhecido como Carlito Marrón . No novo CD Brow toca todos os instrumentos e assina todas as músicas, mas recebe a participação de Jaques Morelembaum em uma das faixas. O artista diz com, certa ironia, não conseguir entender o fato de ser o artista nordestino que mais recebe Ecad, sem que seus discos toquem nas rádios. "Goodbye hello" é a musica que abre o novo disco. A percussão no hit é feita com surdos virados, uma erudição de Brow, que dispensa baterias na faixa. Em "Marina dos mares" Carlinhos tenta reescrever "Marina", de Caymmi, cumprindo uma promessa que fez num dos aniversários do mito. O novo CD, segundo Teles, é um trabalho radiofônico e quase todas as faixas podem ser escolhidas para ser carro chefe.
Voltando
GOMES - 11-11-2007:
Após cerca de 20 meses estou voltando a escrever, compilar e “linkar” algumas besteiras, relacionadas com temas como: música, economia, finanças, política, atualidades e esportes, dentre outros, impelido pelo desejo, que a net nos causa, de compartilhar com os amigos as coisas que leio e que me chamam a atenção.
Após cerca de 20 meses estou voltando a escrever, compilar e “linkar” algumas besteiras, relacionadas com temas como: música, economia, finanças, política, atualidades e esportes, dentre outros, impelido pelo desejo, que a net nos causa, de compartilhar com os amigos as coisas que leio e que me chamam a atenção.
Eta Pernambuco!
Gomes - 07-03-2006:
O Jornalista Paulo Santos, consegue no texto abaixo fazer um resgate verdadeiro e puro de uma das mais gloriosas e emocionantes passagens da história do nosso Estado.
Meus amigos, que me conhecem, sabem o quanto reclamo da falta que faz uma data comemorativa do passado de glória do nosso povo pernambucano.
E vêm a Bahia, com seu 2 de julho, São Paulo, com seu 9 de julho, e os Gaúchos com a Revolução Farroupilha, sempre comemoradas de maneira efusiva. Nenhuma dessas datas, com todo respeito, tem maior grandeza que o 6 de março de 1817 da revolução pernambucana, ou a até a própria Confederação do Equador, sete anos depois, movimento mais democrático e popular que a revolução de 17.
O Jornalista Paulo Santos, consegue no texto abaixo fazer um resgate verdadeiro e puro de uma das mais gloriosas e emocionantes passagens da história do nosso Estado.
Meus amigos, que me conhecem, sabem o quanto reclamo da falta que faz uma data comemorativa do passado de glória do nosso povo pernambucano.
E vêm a Bahia, com seu 2 de julho, São Paulo, com seu 9 de julho, e os Gaúchos com a Revolução Farroupilha, sempre comemoradas de maneira efusiva. Nenhuma dessas datas, com todo respeito, tem maior grandeza que o 6 de março de 1817 da revolução pernambucana, ou a até a própria Confederação do Equador, sete anos depois, movimento mais democrático e popular que a revolução de 17.
1817: a Revolução esquecida
Gomes - 06-03-2006:
Por PAULO SANTOS
O dia 21 do mês que vem será feriado nacional. Todo mundo vai lembrar de Tiradentes, o mártir da Independência, e também agradecerá a ele, não só pelo sacrifício que fez por nós, mas também pelo fato de a efeméride, este ano, cair numa sexta-feira, o que permitirá um feriadão. Mas o dia seis de março – que também já foi feriado nacional – vai passar em branco. Todos estudamos no colégio um importante evento histórico, ocorrido aqui, nessa data, mas alguém, por acaso, lembra dele? Pois vamos rememorar: em seis de março de 1817 (cinco anos antes do Sete de Setembro) o Recife se levantou contra o domínio português. Poucos dias depois as províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte, lideradas por Pernambuco (do qual Alagoas fazia parte, na época) também se rebelaram, e – com todo respeito aos inconfidentes mineiros – o Brasil foi independente, de fato, pela primeira vez!
Aqui, em nosso Estado, foi proclamada uma República e por mais de dois meses, pela primeira vez os brasileiros tiveram governo próprio, constituição, exército, esquadra e até embaixadas no exterior. Fomos além de decretar a autonomia política, antes que um aventureiro o fizesse: proclamamos a igualdade social e a liberdade religiosa, de pensamento e de imprensa, e não só tentamos acabar com a escravidão, mas também com a discriminação contra negros e mulatos! Tudo, também, pela primeira vez no Brasil!
Finalmente – e, de novo, com todo respeito ao sacrifício dos mineiros – a repressão ao nosso movimento não causou apenas uma vítima. Aqui foram cerca de 1.600 mortos e feridos – um verdadeiro genocídio, considerando que o Recife tinha entre 30 e 40 mil habitantes, na época – além de mais de 800 degredados. Apesar da magnitude desses acontecimentos, hoje em dia se sabe quem foi Tiradentes, muita gente conhece a história da bandeira de Minas Gerais, a do triângulo vermelho em fundo branco e do Libertas que Serae Tamen, entretanto, quase ninguém saberia dizer quem foi Gervásio Pires, Vigário Tenório, Cruz Cabugá, que dão nome a ruas do Recife. Tampouco faria idéia de onde veio nossa linda bandeira azul e branca, exibida por toda parte com tanto orgulho, e o que significam o sol, a estrela, o arco-íris e a cruz...
Apenas em 1917, quando transcorreu o centenário da Revolução Pernambucana, houve emissão de selo pelos Correios e a data foi comemorada. Esse dia foi feriado em todo o País. Depois a data mergulhou no esquecimento, não é relembrada sequer em nosso Estado, cujo povo é orgulhoso das suas tradições e onde o período holandês é tão conhecido e badalado. O motivo desse apagão político e cultural, entretanto, é relativamente simples: pelas suas avançadas propostas sociais e políticas, aquele movimento foi sempre execrado por interesses poderosos. No período colonial e no Império, louvou-se muito a bravura dos que expulsaram os holandeses, mas os revolucionários de 17 eram tratados – compreensivelmente – como rebeldes anarquistas, portadores de consciências depravadas, inconfidentes malvados que transformaram num covil de monstros o teatro onde brilhara a fidelidade de Fernandes Vieira, Henrique Dias e outros tratados como heróis...
De Pernambuco, dizia-se, “emana o vapor maligno da democracia!” Durante a Primeira República, de 1889 a 1930, nossa República de 1817, que tinha uma certa identidade com ela, ainda foi visto com bons olhos, mas, a seguir, no período getulista, centralizador e autoritário, novamente deixou de ser simpática, por ter defendido e apregoado o respeito à democracia, a divisão e a descentralização do poder. Nossos revolucionários, enfim, não apenas foram esmagados em vida: a memória deles continuou a ser perseguida pelos séculos afora! Nem todos, é claro, se omitiram. Historiadores fizeram a parte deles, como Muniz Tavares (um participante) e Oliveira Lima, quanto os contemporâneos como Amaro Quintas e Manoel Correia de Andrade – além de pensadores de outros centros, como Carlos Guilherme Mota – estudaram e analisaram tudo cuidadosamente. Mas o trabalho historiográfico, infelizmente, não atinge o grande público. Apenas o interesse dos poderes públicos, dos meios de comunicação e, finalmente, dos artistas, é que poderá algum dia popularizar e dar vida à memória da Revolução Pernambucana de 1817, que foi curta, intensa, apaixonada, romântica e, se tivesse triunfado, teria dado um rumo diferente – e, talvez, bem melhor – ao nosso País.
Paulo Santos é jornalista
Por PAULO SANTOS
O dia 21 do mês que vem será feriado nacional. Todo mundo vai lembrar de Tiradentes, o mártir da Independência, e também agradecerá a ele, não só pelo sacrifício que fez por nós, mas também pelo fato de a efeméride, este ano, cair numa sexta-feira, o que permitirá um feriadão. Mas o dia seis de março – que também já foi feriado nacional – vai passar em branco. Todos estudamos no colégio um importante evento histórico, ocorrido aqui, nessa data, mas alguém, por acaso, lembra dele? Pois vamos rememorar: em seis de março de 1817 (cinco anos antes do Sete de Setembro) o Recife se levantou contra o domínio português. Poucos dias depois as províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte, lideradas por Pernambuco (do qual Alagoas fazia parte, na época) também se rebelaram, e – com todo respeito aos inconfidentes mineiros – o Brasil foi independente, de fato, pela primeira vez!
Aqui, em nosso Estado, foi proclamada uma República e por mais de dois meses, pela primeira vez os brasileiros tiveram governo próprio, constituição, exército, esquadra e até embaixadas no exterior. Fomos além de decretar a autonomia política, antes que um aventureiro o fizesse: proclamamos a igualdade social e a liberdade religiosa, de pensamento e de imprensa, e não só tentamos acabar com a escravidão, mas também com a discriminação contra negros e mulatos! Tudo, também, pela primeira vez no Brasil!
Finalmente – e, de novo, com todo respeito ao sacrifício dos mineiros – a repressão ao nosso movimento não causou apenas uma vítima. Aqui foram cerca de 1.600 mortos e feridos – um verdadeiro genocídio, considerando que o Recife tinha entre 30 e 40 mil habitantes, na época – além de mais de 800 degredados. Apesar da magnitude desses acontecimentos, hoje em dia se sabe quem foi Tiradentes, muita gente conhece a história da bandeira de Minas Gerais, a do triângulo vermelho em fundo branco e do Libertas que Serae Tamen, entretanto, quase ninguém saberia dizer quem foi Gervásio Pires, Vigário Tenório, Cruz Cabugá, que dão nome a ruas do Recife. Tampouco faria idéia de onde veio nossa linda bandeira azul e branca, exibida por toda parte com tanto orgulho, e o que significam o sol, a estrela, o arco-íris e a cruz...
Apenas em 1917, quando transcorreu o centenário da Revolução Pernambucana, houve emissão de selo pelos Correios e a data foi comemorada. Esse dia foi feriado em todo o País. Depois a data mergulhou no esquecimento, não é relembrada sequer em nosso Estado, cujo povo é orgulhoso das suas tradições e onde o período holandês é tão conhecido e badalado. O motivo desse apagão político e cultural, entretanto, é relativamente simples: pelas suas avançadas propostas sociais e políticas, aquele movimento foi sempre execrado por interesses poderosos. No período colonial e no Império, louvou-se muito a bravura dos que expulsaram os holandeses, mas os revolucionários de 17 eram tratados – compreensivelmente – como rebeldes anarquistas, portadores de consciências depravadas, inconfidentes malvados que transformaram num covil de monstros o teatro onde brilhara a fidelidade de Fernandes Vieira, Henrique Dias e outros tratados como heróis...
De Pernambuco, dizia-se, “emana o vapor maligno da democracia!” Durante a Primeira República, de 1889 a 1930, nossa República de 1817, que tinha uma certa identidade com ela, ainda foi visto com bons olhos, mas, a seguir, no período getulista, centralizador e autoritário, novamente deixou de ser simpática, por ter defendido e apregoado o respeito à democracia, a divisão e a descentralização do poder. Nossos revolucionários, enfim, não apenas foram esmagados em vida: a memória deles continuou a ser perseguida pelos séculos afora! Nem todos, é claro, se omitiram. Historiadores fizeram a parte deles, como Muniz Tavares (um participante) e Oliveira Lima, quanto os contemporâneos como Amaro Quintas e Manoel Correia de Andrade – além de pensadores de outros centros, como Carlos Guilherme Mota – estudaram e analisaram tudo cuidadosamente. Mas o trabalho historiográfico, infelizmente, não atinge o grande público. Apenas o interesse dos poderes públicos, dos meios de comunicação e, finalmente, dos artistas, é que poderá algum dia popularizar e dar vida à memória da Revolução Pernambucana de 1817, que foi curta, intensa, apaixonada, romântica e, se tivesse triunfado, teria dado um rumo diferente – e, talvez, bem melhor – ao nosso País.
Paulo Santos é jornalista
Ai se sesse
Gomes - 29-02-2006:
Eu ainda não consegui aprender a gostar(me desculpem a sinceridade), mas o show de Lirinha e sua troupe do “Cordel do Fogo Encantado”, encantou o Marco Zero na noite/madrugada de domingo pra segunda-feira de carnaval no Recife.
Não é que o cara, com aquele jeito de beato, consegue arregimentar uma legião de seguidores a recitar suas poesias de cordel e cantar suas músicas sincopadas em pleno domingo de carnaval do Recife!
E não foi só eu que me surpreendi não, o próprio Lirinha estava surpreso. Em determinado momento do show, em êxtase, ele confidenciou que alguém teria tido a infeliz idéia de lhe soprar no ouvido, no camarim, pra que não inventasse de recitar seus versos, como faz nos shows normais. O público desdenhou e regozijou-se junto com o artista.
Foi depois dessa reflexão que ele soltou essa pérola do poeta centenário Zé da Luz, um dos pais (ou sogro) intelecual de Jessiê Quirino e de outros poetas populares. O poema “Ai Se Sesse” é realmente um achado do cancioneiro popular do nordeste:
“Se um dia nois se gostasse/Se um dia nois se queresse/Se nois dois se empareasse/Se juntim nois dois vivesse/Se juntim nois dois morasse/Se juntim nois dois drumisse/Se juntim nois dois morresse/Se pro céu nois assubisse/Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice/E se eu arriminasse/E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse/E a minha faca puxasse/E o bucho do céu furasse/Talvez que nois dois ficasse/Talvez que nois dois caisse/E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse”. E o que seria uma espécie de abertura do show de Lenine (e seus convidados Zélia Duncan, Vanessa da Mata e Gabriel, O Pensador) acabou virando a atração principal da noite. A praça do Marco Zero ficou visivelmente menos cheia quando encerrou-se o show da banda de Arcoverde. E não tinha nada mais atraente do que Lenine lá pela Rua da Moeda que pudesse ter deslocado alguns beatos de Lirinha para lá.
Eu ainda não consegui aprender a gostar(me desculpem a sinceridade), mas o show de Lirinha e sua troupe do “Cordel do Fogo Encantado”, encantou o Marco Zero na noite/madrugada de domingo pra segunda-feira de carnaval no Recife.
Não é que o cara, com aquele jeito de beato, consegue arregimentar uma legião de seguidores a recitar suas poesias de cordel e cantar suas músicas sincopadas em pleno domingo de carnaval do Recife!
E não foi só eu que me surpreendi não, o próprio Lirinha estava surpreso. Em determinado momento do show, em êxtase, ele confidenciou que alguém teria tido a infeliz idéia de lhe soprar no ouvido, no camarim, pra que não inventasse de recitar seus versos, como faz nos shows normais. O público desdenhou e regozijou-se junto com o artista.
Foi depois dessa reflexão que ele soltou essa pérola do poeta centenário Zé da Luz, um dos pais (ou sogro) intelecual de Jessiê Quirino e de outros poetas populares. O poema “Ai Se Sesse” é realmente um achado do cancioneiro popular do nordeste:
“Se um dia nois se gostasse/Se um dia nois se queresse/Se nois dois se empareasse/Se juntim nois dois vivesse/Se juntim nois dois morasse/Se juntim nois dois drumisse/Se juntim nois dois morresse/Se pro céu nois assubisse/Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice/E se eu arriminasse/E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse/E a minha faca puxasse/E o bucho do céu furasse/Talvez que nois dois ficasse/Talvez que nois dois caisse/E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse”. E o que seria uma espécie de abertura do show de Lenine (e seus convidados Zélia Duncan, Vanessa da Mata e Gabriel, O Pensador) acabou virando a atração principal da noite. A praça do Marco Zero ficou visivelmente menos cheia quando encerrou-se o show da banda de Arcoverde. E não tinha nada mais atraente do que Lenine lá pela Rua da Moeda que pudesse ter deslocado alguns beatos de Lirinha para lá.
Maria Betânia
Gomes - 26-02-2006:
A grata surpresa do carnaval de Pernambuco foi a presença singela de Caetano Veloso, que veio para apreciar o carnaval de pernambucano como folião. Caetano, que recentemente recebeu da Assembléia Legislativa do estado o título de Cidadão Pernambucano, apesar de baiano parece possuir ligações transcendentais com a cultura do nosso estado.Com apenas 4 anos de idade Caetano conseguiu se encantar com um choro de Capiba, interpretado por Nelson Gonçalves, que fazia sucesso nos idos de 1945/46(é, Capiba não compunha apenas frevos): “Maria Betânia tu és para mim a senhora do engenho/em sonhos te vejo/Maria Betânia és tudo que tenho/quanta tristeza/sinto no peito/só em pensar/que o meu sonho está desfeito..”.Maria Betânia, a irmã de Caetano, nasceu em 1946, em Santo Amaro da Purificação, cidade do fundo do reconcavo formado pela Baía de Todos os Santos. Caetano implicou que o nome da irmã deveria ser Maria Betânia, por causa da música de Capiba. Diante da existência de outras pretensões de nomes entre os parentes, seu Zeca (pai de Caetano, chefe do correio de Santo Amaro) encontrou uma maneira democrática de atender o menino Caetano. Promoveu um sorteio, colocando em papeis todos os nomes sugeridos. Ainda hoje Caetano suspeita de que o seu Zeca tenha escrito o nome de Maria Betânia em todos os papeis utlizados no sorteio.
Já na adolescência, Caetano acabou indo para Salvador na posição secundária de guardião de Betânia, que o pai queria ver estudando na capital. Daí até conseguir para ela um bico como cantora num bazinho de Salvador foi um pulo.
Um certo dia, de passagem por Salvador, Nara Leão se encanta com a jovem cantora e a convida para substituí-la durante as férias, no legendário show “opinião” – dos primeiros a protestar contra a ditadura – espetáculo que fazia numa casa noturna do Rio com Zé Keti e João do Vale. Caetano segue junto, a reboque, e começa a se tornar conhecido como compositor, por meio das interpretações de Betânia que logo em seguida grava seu primeiro disco.
Voltando à ligação com Pernambuco, Caetano exerceu grande influência (tendi sido depois também influenciado) na vinda de Gilberto Gil(ainda anônimo) a Pernambuco, na juventude, onde passou cerca de dois meses entre Caruaru e Afogados da Ingazeira, fazendo leituras da arte de Sebastião Biano e seus comparsas da Banda de Pífanos de Caruaru, além dos poetas de Cordel do Sertão do Pajeú, como mestre Lourival Batista. O movimento “Tropicália”, segundo o próprio Gil, teria sido influenciado pela junção dos Beatles(que conheceria anos depois de deixar Caruaru, já no exílio em Londres) e a Banda de Pífanos (os Beatles de Caruaru). Chico Science teria sido um neto cultural desça influência.
Há alguns anos o "pernambucano" Caetano produziu o Show e álbum “Noites do Norte”, a partir de suas leituras e releituras sobre a obra do seu "conterrâneo" Joaquim Nabuco
A grata surpresa do carnaval de Pernambuco foi a presença singela de Caetano Veloso, que veio para apreciar o carnaval de pernambucano como folião. Caetano, que recentemente recebeu da Assembléia Legislativa do estado o título de Cidadão Pernambucano, apesar de baiano parece possuir ligações transcendentais com a cultura do nosso estado.Com apenas 4 anos de idade Caetano conseguiu se encantar com um choro de Capiba, interpretado por Nelson Gonçalves, que fazia sucesso nos idos de 1945/46(é, Capiba não compunha apenas frevos): “Maria Betânia tu és para mim a senhora do engenho/em sonhos te vejo/Maria Betânia és tudo que tenho/quanta tristeza/sinto no peito/só em pensar/que o meu sonho está desfeito..”.Maria Betânia, a irmã de Caetano, nasceu em 1946, em Santo Amaro da Purificação, cidade do fundo do reconcavo formado pela Baía de Todos os Santos. Caetano implicou que o nome da irmã deveria ser Maria Betânia, por causa da música de Capiba. Diante da existência de outras pretensões de nomes entre os parentes, seu Zeca (pai de Caetano, chefe do correio de Santo Amaro) encontrou uma maneira democrática de atender o menino Caetano. Promoveu um sorteio, colocando em papeis todos os nomes sugeridos. Ainda hoje Caetano suspeita de que o seu Zeca tenha escrito o nome de Maria Betânia em todos os papeis utlizados no sorteio.
Já na adolescência, Caetano acabou indo para Salvador na posição secundária de guardião de Betânia, que o pai queria ver estudando na capital. Daí até conseguir para ela um bico como cantora num bazinho de Salvador foi um pulo.
Um certo dia, de passagem por Salvador, Nara Leão se encanta com a jovem cantora e a convida para substituí-la durante as férias, no legendário show “opinião” – dos primeiros a protestar contra a ditadura – espetáculo que fazia numa casa noturna do Rio com Zé Keti e João do Vale. Caetano segue junto, a reboque, e começa a se tornar conhecido como compositor, por meio das interpretações de Betânia que logo em seguida grava seu primeiro disco.
Voltando à ligação com Pernambuco, Caetano exerceu grande influência (tendi sido depois também influenciado) na vinda de Gilberto Gil(ainda anônimo) a Pernambuco, na juventude, onde passou cerca de dois meses entre Caruaru e Afogados da Ingazeira, fazendo leituras da arte de Sebastião Biano e seus comparsas da Banda de Pífanos de Caruaru, além dos poetas de Cordel do Sertão do Pajeú, como mestre Lourival Batista. O movimento “Tropicália”, segundo o próprio Gil, teria sido influenciado pela junção dos Beatles(que conheceria anos depois de deixar Caruaru, já no exílio em Londres) e a Banda de Pífanos (os Beatles de Caruaru). Chico Science teria sido um neto cultural desça influência.
Há alguns anos o "pernambucano" Caetano produziu o Show e álbum “Noites do Norte”, a partir de suas leituras e releituras sobre a obra do seu "conterrâneo" Joaquim Nabuco
Caetano e seu sonho de infância
Gomes - 25-02-2006:
Caetano Veloso desertou do carnaval da Bahia. Foi realizar o sonho de infância dele - passar o carnaval no Recife. O baiano lembrou que nunca havia sido apresentado ao frevo em sua terra de origem e admitiu que a folia na Bahia não é lá tão criativa: - Durante muito tempo, o carnaval da Bahia copiou o do Recife e do Rio, usando o frevo e o samba em seu repertório. A Bahia tem hoje muito axé music. Posso dizer que sou avô do axé music e o Moraes Moreira é o pai. Caetano esteve no Galo da Madrugada e disse que seu próximo compromisso no Recife será conhecer o maracatu (dança que surgiu nas senzalas e que usa apenas instrumentos de percussão). - Realizei um sonho de infância. Queria muito conhecer a folia da capital pernambucana.
Enviada por: Ricardo Noblat
Caetano Veloso desertou do carnaval da Bahia. Foi realizar o sonho de infância dele - passar o carnaval no Recife. O baiano lembrou que nunca havia sido apresentado ao frevo em sua terra de origem e admitiu que a folia na Bahia não é lá tão criativa: - Durante muito tempo, o carnaval da Bahia copiou o do Recife e do Rio, usando o frevo e o samba em seu repertório. A Bahia tem hoje muito axé music. Posso dizer que sou avô do axé music e o Moraes Moreira é o pai. Caetano esteve no Galo da Madrugada e disse que seu próximo compromisso no Recife será conhecer o maracatu (dança que surgiu nas senzalas e que usa apenas instrumentos de percussão). - Realizei um sonho de infância. Queria muito conhecer a folia da capital pernambucana.
Enviada por: Ricardo Noblat
Cajuína
Gomes - 11-02-2006:
“Você me chama/Eu quero ir pro cinema/Você reclama/Meu coração não contenta/Você me ama/Mas de repente a madrugada mudou/E certamente/Aquele trem já passou/E se passou/Passou daqui pra melhor,foi!/Só quero saber do que pode dar certo/ Não tenho tempo a perder...”
Pouca gente sabe, mas “Go Back” é uma letra escrita por Torquato Neto, muito tempo antes de os Titãs imaginarem que viriam a se juntar em uma banda musical. Sérgio Brito e Martin Cardoso compuseram a melodia muitos anos depois da morte do autor da letra que virou sucesso da banda.
Você deve estar se perguntando o que é que tem a ver “Go Back” com “Cajuína”? Mas elas têm em comum a ligação com o poeta Torquato Neto, o anjo torto.
O piauiense Toquato Neto (poeta, jornalista, cineasta, roteirista, ator....) foi um dos mentores intelectuais do movimento “Tropicália”, juntamente com Caetano, Gil, Tom Zé e Wally Salomão (“memória da pele”, “vapor barato”...). Estudava desde a adolescência na mesma escola de Gil, de quem virou amigo, em Salvador.
Torquato era um menino infeliz, vivia deprimido, parecia que não era desse mundo. No dia 10 de novembro de 1972, um dia depois de completar 28 anos, deu cabo a sua vida, asfixiando-se com o gás do banheiro de sua casa, no Rio. Deixo o seguinte bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar”. Que cara louco!
Alguns anos depois Caetano foi dar um show em Teresina. Não podia mesmo deixar de visitar o pai de Torquato, de quem gostava muito. Foi recebido na porta com uma rosa presenteada pelo velho. Teriam se olhado, olhos nos olhos, por longos minutos, sem proferir uma palavra, só choro, até que ele fosse lá dentro e troxesse para Caetano um copo de cajuína, a bebida típica do Piauí.
A letra de Cajuína, feita depois dessa visita, tem uma construção semântica ímpar, numa das orações raras dessa nossa lingua portuguesa rica de recursos. Só Caetano poderia construí-la: “e éramos olharmo-nos, intacta retina...”. Que construção!
“existirmos/a que será que se destina?/pois quando tu me deste a rosa pequenina/vi que és um homem lindo e que se acaso a sina/do menino infleliz não se nos ilumina/tampouco turva-se a lágrima nordestina/apenas a matéria vida era tão fina/e éramos olharmo-nos, intacta retina/a cajuína cristalina em Teresina”.
“Você me chama/Eu quero ir pro cinema/Você reclama/Meu coração não contenta/Você me ama/Mas de repente a madrugada mudou/E certamente/Aquele trem já passou/E se passou/Passou daqui pra melhor,foi!/Só quero saber do que pode dar certo/ Não tenho tempo a perder...”
Pouca gente sabe, mas “Go Back” é uma letra escrita por Torquato Neto, muito tempo antes de os Titãs imaginarem que viriam a se juntar em uma banda musical. Sérgio Brito e Martin Cardoso compuseram a melodia muitos anos depois da morte do autor da letra que virou sucesso da banda.
Você deve estar se perguntando o que é que tem a ver “Go Back” com “Cajuína”? Mas elas têm em comum a ligação com o poeta Torquato Neto, o anjo torto.
O piauiense Toquato Neto (poeta, jornalista, cineasta, roteirista, ator....) foi um dos mentores intelectuais do movimento “Tropicália”, juntamente com Caetano, Gil, Tom Zé e Wally Salomão (“memória da pele”, “vapor barato”...). Estudava desde a adolescência na mesma escola de Gil, de quem virou amigo, em Salvador.
Torquato era um menino infeliz, vivia deprimido, parecia que não era desse mundo. No dia 10 de novembro de 1972, um dia depois de completar 28 anos, deu cabo a sua vida, asfixiando-se com o gás do banheiro de sua casa, no Rio. Deixo o seguinte bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar”. Que cara louco!
Alguns anos depois Caetano foi dar um show em Teresina. Não podia mesmo deixar de visitar o pai de Torquato, de quem gostava muito. Foi recebido na porta com uma rosa presenteada pelo velho. Teriam se olhado, olhos nos olhos, por longos minutos, sem proferir uma palavra, só choro, até que ele fosse lá dentro e troxesse para Caetano um copo de cajuína, a bebida típica do Piauí.
A letra de Cajuína, feita depois dessa visita, tem uma construção semântica ímpar, numa das orações raras dessa nossa lingua portuguesa rica de recursos. Só Caetano poderia construí-la: “e éramos olharmo-nos, intacta retina...”. Que construção!
“existirmos/a que será que se destina?/pois quando tu me deste a rosa pequenina/vi que és um homem lindo e que se acaso a sina/do menino infleliz não se nos ilumina/tampouco turva-se a lágrima nordestina/apenas a matéria vida era tão fina/e éramos olharmo-nos, intacta retina/a cajuína cristalina em Teresina”.
Zanzibar
Fausto Nilo é um dos maiores letristas da MPB, se não o maior. Existem mais de 400 canções com letras dele. Cearense de Quixeramobim, conterrâneo de Antonio Conselheiro, arquiteto de formação (é o grande interventor – no melhor sentido – da paisagem de Fortaleza, com sua arte). Vou citar só um punhado de seus grandes sucessos: “tudo com você”, com Lulu Santos; “eu também quero beijar” e “mil e uma noites de amor” com Pepeu Gomes; “dona da minha cabeça” , “chorando e cantando – quando fevereiro chegar, saudade já não mata a gente... feita para esperar Luan, filho de Elba, que veio ao mundo em um fevereiro, como eu”, “você se lembra - entre as estrelas do meu drama/você já foi meu anjo azul/chegamos num final feliz/ na tela prateada da ilusão...” e "letras negras", com Geraldo Azevedo; “Deslizes”, “Retrovisor – onde a máquina me leva não há nada/horizontes e fronteiras são iguais/se agora tudo que mais quero já ficou pra trás...”, e uma porrada de músicas interpretadas por Fagner, seu maior interprete e parceiro; os maiores sucessos de Simone: “pão e poesia”, “pequenino cão”, “você é real” e “um desejo só não basta”; “meninas do Brasil”, “coisa acesa” , “santa fé – roque santeiro” e “bloco do prazer”, dentre outras, com Moraes Moreira.
Mas vamos nos reportar apenas a "Zanzibar" feita em parceria com Armandinho, da banda A Cor do Som, das melhores bandas que a Bahia já deu. “No azul de Jezebel/No céu de Calcutá/Feliz constelação/Reluz no corpo dela/Ai tricolor colar/Az de maracatu/No azul de Zanzibar/Ali meu coração/Zumbiu no gozo dela/Ai mina aperta a minha mão/Alá meu "only you"/No azul da estrela...”
Zanzibar teria sido composta no Rio de Janeiro, no início dos anos oitenta. Ainda moravam por lá alguns remanescentes dos “novos baianos” como Moraes Moreira, Luiz Galvão e Paulinha Boca de Cantor. Armandinho, Moraes Moreira e Fausto Nilo, produziram algumas composições entre o fim da década de 70 e o início dos anos 80, no Rio de Janeiro.
Zanzibar estava quase pronta mas Fausto, um perfeccionista, encrencou que falta uma palavra para dar sentido à letra. Ele costuma dizer que uma palavra pode botar uma música inteira a perder, a ser fadada a nunca fazer sucesso. Pois foi assim com “Zanzibar”. Saiu do estúdio invocad, tentando inserir a palavra que faltava, na letra que encaixasse na melodia de Armandinho. Já era noite, caminhando pelo Jardim Botânico, bairro da zona sul do Rio, pela avenida onde fica a sede da Rede Globo. Ouviu saído de um boteco, num dos becos de uma esquina da avenida, vinda da voz de um bêbado, a palavra que lhe faltava na composição. Era um simples “aliás”, mas Fausto lembra que não poderia ter sido um “aliás” qualquer, tinha que ter sido um aliás com a sonoridade com que o bêbado lhe soprara “Aliás, bazar da coisa azul/Meu "only you"/É muito mais que o azul de Zanzibar
Paracuru/O azul da estrela/O azul da estrela.....”
O “aliás”, palavra pouco comum para letras de música (aliás, tem uma música de Djavan que se chama ‘Aliás’, por sinal uma bela canção, só conheço essa outra letra com essa palavra), provocou a inflexão que a canção precisava, segundo ele, dando uma nítida separação entre os trechos anterior e posterior à palavra na canção, da forma como ele deseja que ocorresse. Coisas de Gênio. Sem explicações.
Mas vamos nos reportar apenas a "Zanzibar" feita em parceria com Armandinho, da banda A Cor do Som, das melhores bandas que a Bahia já deu. “No azul de Jezebel/No céu de Calcutá/Feliz constelação/Reluz no corpo dela/Ai tricolor colar/Az de maracatu/No azul de Zanzibar/Ali meu coração/Zumbiu no gozo dela/Ai mina aperta a minha mão/Alá meu "only you"/No azul da estrela...”
Zanzibar teria sido composta no Rio de Janeiro, no início dos anos oitenta. Ainda moravam por lá alguns remanescentes dos “novos baianos” como Moraes Moreira, Luiz Galvão e Paulinha Boca de Cantor. Armandinho, Moraes Moreira e Fausto Nilo, produziram algumas composições entre o fim da década de 70 e o início dos anos 80, no Rio de Janeiro.
Zanzibar estava quase pronta mas Fausto, um perfeccionista, encrencou que falta uma palavra para dar sentido à letra. Ele costuma dizer que uma palavra pode botar uma música inteira a perder, a ser fadada a nunca fazer sucesso. Pois foi assim com “Zanzibar”. Saiu do estúdio invocad, tentando inserir a palavra que faltava, na letra que encaixasse na melodia de Armandinho. Já era noite, caminhando pelo Jardim Botânico, bairro da zona sul do Rio, pela avenida onde fica a sede da Rede Globo. Ouviu saído de um boteco, num dos becos de uma esquina da avenida, vinda da voz de um bêbado, a palavra que lhe faltava na composição. Era um simples “aliás”, mas Fausto lembra que não poderia ter sido um “aliás” qualquer, tinha que ter sido um aliás com a sonoridade com que o bêbado lhe soprara “Aliás, bazar da coisa azul/Meu "only you"/É muito mais que o azul de Zanzibar
Paracuru/O azul da estrela/O azul da estrela.....”
O “aliás”, palavra pouco comum para letras de música (aliás, tem uma música de Djavan que se chama ‘Aliás’, por sinal uma bela canção, só conheço essa outra letra com essa palavra), provocou a inflexão que a canção precisava, segundo ele, dando uma nítida separação entre os trechos anterior e posterior à palavra na canção, da forma como ele deseja que ocorresse. Coisas de Gênio. Sem explicações.
A indústria estéril da arbitragem
Gomes - 29-01-2006:
O sábio recluso me escreve de novo. Andou analisando a indústria da arbitragem de juros, criada pelo Plano Real e mantida pelo governo Lula. Consiste em trazer dólares de fora, a um custo baixo, e aplicar aqui em títulos públicos, à taxa Selic, sem risco, tudo garantido pelo Banco Central.
Ele compara esse ciclo de rendimentos parasitários às lavras de ouro e de diamantes, nos primórdios da colonização, e ao tráfico de escravos, negócio central do capitalismo brasileiro por 200 anos, estabelecendo em torno dele um anel de negócios paralelos de navegação, bancos e seguros.
Tal qual o tráfico negreiro, o negócio da arbitragem tem poderosos apoios no governo e nos círculos do poder. Seus donos e beneficiários se dividem em três grupos:
1. Bancos grandes, médios e pequenos e suas ramificações auxiliares, empresas de leasing, holdings financeiras e administradoras de cartões de crédito que conseguem linhas de crédito no exterior. Bancos, mesmo pequenos, estão hoje conseguindo captar no exterior com extrema facilidade, dada a exorbitante liquidez internacional.
2. Empresas da economia produtiva de grande porte que têm cadastro para captar no exterior. Nesse grupo contam-se aproximadamente 120 empresas brasileiras.
3. Brasileiros com depósitos e aplicações em moeda estrangeira, registrados ou não no BC, que podem usar esses recursos como lastro para captar no exterior. São US$ 94 bilhões registrados no BC mais uma estimativa média de depósitos não declarados de US$ 120 bilhões.
Esses três grupos conseguem levantar grandes volumes de dólares ou euros a taxas de até 4% ao ano, ou mais altas quando o devedor está legalmente no Brasil, mas ainda assim por menos da metade das taxas internas.
Como a dívida pública em reais está hoje com um volume equivalente a US$ 400 bilhões e não cessa de crescer (só em 2005 cresceu 21%), a disponibilidade de papéis para arbitragem é quase ilimitada, diz ele. De 45% a 50% do total da dívida pública interna está lastreando operações de arbitragem.
Os donos da arbitragem hoje comandam toda a lógica da política monetária. É a esses interesses que está subordinada a política monetária do Copom, o manejo da política cambial, a obsessão com as metas de inflação como centro de toda a política econômica, o incompreensível desprezo do BC pelos números da economia produtiva , o crescimento brasileiro, muito inferior a todos os grandes emergentes, inferior à média da América Latina, inferior à média mundial e inferior à média do crescimento da África em 2005 (4,7%). Só há um público para o Copom: os donos da liquidez, beneficiários dos negócios da arbitragem.
Tome-se o exemplo:
1. O investidor pegou um empréstimo de US$ 10 milhões no exterior e entrou no Brasil no início de 2003, com o dólar a R$ 3,50. Converteu e aplicou R$ 35 milhões em papéis Selic por três anos, a uma média de rentabilidade de 20% ano (apenas para exemplificar).
2. No primeiro ano os papéis valiam R$ 42 milhões; no segundo ano, R$ 50,4 milhões; no terceiro ano, R$ 60 milhões.
3. No resgate, ele pode recomprar os dólares a R$ 2,25, ficando com US$ 26,66 milhões. Pagou os US$ 10 milhões do empréstimo, mais US$ 2,5 milhões de juros. Seu lucro foi de US$ 14,1 milhões, quase uma vez e meia seu capital inicial, em apenas três anos, além do rendimento de sua aplicação original que lastreou o empréstimo.
Trata-se de uma operação fantástica, única no planeta. Existem no Brasil meia dúzia de grupos com capacidade de tomar individualmente mais de US$ 1 bilhão cada um, outra dezena ou pouco mais com captações individuais de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão e na faixa dos US$ 100 milhões a US$ 200 milhões existem empresas até desconhecidas do grande público, calcula ele.
Os lucros da arbitragem são estéreis, não derivam da criação de riqueza e produzem, ao contrário, grande concentração de renda e riqueza.
O nó górdio da economia consistirá em romper com esse círculo vicioso induzindo o grande capital a investir na atividade produtiva.
O sábio recluso me escreve de novo. Andou analisando a indústria da arbitragem de juros, criada pelo Plano Real e mantida pelo governo Lula. Consiste em trazer dólares de fora, a um custo baixo, e aplicar aqui em títulos públicos, à taxa Selic, sem risco, tudo garantido pelo Banco Central.
Ele compara esse ciclo de rendimentos parasitários às lavras de ouro e de diamantes, nos primórdios da colonização, e ao tráfico de escravos, negócio central do capitalismo brasileiro por 200 anos, estabelecendo em torno dele um anel de negócios paralelos de navegação, bancos e seguros.
Tal qual o tráfico negreiro, o negócio da arbitragem tem poderosos apoios no governo e nos círculos do poder. Seus donos e beneficiários se dividem em três grupos:
1. Bancos grandes, médios e pequenos e suas ramificações auxiliares, empresas de leasing, holdings financeiras e administradoras de cartões de crédito que conseguem linhas de crédito no exterior. Bancos, mesmo pequenos, estão hoje conseguindo captar no exterior com extrema facilidade, dada a exorbitante liquidez internacional.
2. Empresas da economia produtiva de grande porte que têm cadastro para captar no exterior. Nesse grupo contam-se aproximadamente 120 empresas brasileiras.
3. Brasileiros com depósitos e aplicações em moeda estrangeira, registrados ou não no BC, que podem usar esses recursos como lastro para captar no exterior. São US$ 94 bilhões registrados no BC mais uma estimativa média de depósitos não declarados de US$ 120 bilhões.
Esses três grupos conseguem levantar grandes volumes de dólares ou euros a taxas de até 4% ao ano, ou mais altas quando o devedor está legalmente no Brasil, mas ainda assim por menos da metade das taxas internas.
Como a dívida pública em reais está hoje com um volume equivalente a US$ 400 bilhões e não cessa de crescer (só em 2005 cresceu 21%), a disponibilidade de papéis para arbitragem é quase ilimitada, diz ele. De 45% a 50% do total da dívida pública interna está lastreando operações de arbitragem.
Os donos da arbitragem hoje comandam toda a lógica da política monetária. É a esses interesses que está subordinada a política monetária do Copom, o manejo da política cambial, a obsessão com as metas de inflação como centro de toda a política econômica, o incompreensível desprezo do BC pelos números da economia produtiva , o crescimento brasileiro, muito inferior a todos os grandes emergentes, inferior à média da América Latina, inferior à média mundial e inferior à média do crescimento da África em 2005 (4,7%). Só há um público para o Copom: os donos da liquidez, beneficiários dos negócios da arbitragem.
Tome-se o exemplo:
1. O investidor pegou um empréstimo de US$ 10 milhões no exterior e entrou no Brasil no início de 2003, com o dólar a R$ 3,50. Converteu e aplicou R$ 35 milhões em papéis Selic por três anos, a uma média de rentabilidade de 20% ano (apenas para exemplificar).
2. No primeiro ano os papéis valiam R$ 42 milhões; no segundo ano, R$ 50,4 milhões; no terceiro ano, R$ 60 milhões.
3. No resgate, ele pode recomprar os dólares a R$ 2,25, ficando com US$ 26,66 milhões. Pagou os US$ 10 milhões do empréstimo, mais US$ 2,5 milhões de juros. Seu lucro foi de US$ 14,1 milhões, quase uma vez e meia seu capital inicial, em apenas três anos, além do rendimento de sua aplicação original que lastreou o empréstimo.
Trata-se de uma operação fantástica, única no planeta. Existem no Brasil meia dúzia de grupos com capacidade de tomar individualmente mais de US$ 1 bilhão cada um, outra dezena ou pouco mais com captações individuais de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão e na faixa dos US$ 100 milhões a US$ 200 milhões existem empresas até desconhecidas do grande público, calcula ele.
Os lucros da arbitragem são estéreis, não derivam da criação de riqueza e produzem, ao contrário, grande concentração de renda e riqueza.
O nó górdio da economia consistirá em romper com esse círculo vicioso induzindo o grande capital a investir na atividade produtiva.
Paula e Bebeto
Gomes-05-02-2006:
Caetano Veloso e Milton Nascimento nasceram ambos em 1942 e se dizem ambos influenciados pelo cinema na sua formação musical. Eram precisamente três as parcerias musicas dos dois, até o reencontro para a produção da trilha sonora do filme o “O Coronel e o Lobisomem”, filme produzido por Paula Lavigne, sob roteiro de Guel Arraes. “A terceira Margem do Rio” e “As Várias Pontas de uma Estrela” são duas dessas três parcerias citadas, mas a mais conhecida é “Paulo e Bebeto”, a primeira parceria dos dois, concluída em 1975: “Ê vida, vida, que amor brincadeira, à vera/Eles se amaram de qualquer maneira, à vera/Qualquer maneira de amor vale à pena/Qualquer maneira de amor vale amar...”. Paula e Bebeto faziam um casal de amigos da adolescência/juventude de Milton Nascimento, eram daquele tipo de casal que só vivia grudado um no outro. Parecia amor pra vida inteira.
Milton promera a eles uma música, montou a melodia mas não coseguia letrá-la. O tempo passou e o casal acabou se separando, mas insistiam em cobrar a música a Milton Nascimento. Milton mandou a melodia para Caetano, contou a estória da inspiração e lamentou o fato daquele amor ter acabado antes da conclusão da música. Caetano teria feito a letra de uma canetada só: “...Pena, que pena, que coisa bonita, diga/Qual a palavra que nunca foi dita, diga....” “ ..Eles partiram por outros assuntos, muitos/Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito/Qualquer maneira que eu cante este canto/Qualquer maneira me vale cantar/Eles se amam de qualquer maneira, à vera/Eles se amam é prá vida inteira, à vera/Qualquer maneira de amor vale o canto/Qualquer maneira me vale cantar/Qualquer maneira de amor vale aquela/Qualquer maneira de amor valerá”.
Caetano Veloso e Milton Nascimento nasceram ambos em 1942 e se dizem ambos influenciados pelo cinema na sua formação musical. Eram precisamente três as parcerias musicas dos dois, até o reencontro para a produção da trilha sonora do filme o “O Coronel e o Lobisomem”, filme produzido por Paula Lavigne, sob roteiro de Guel Arraes. “A terceira Margem do Rio” e “As Várias Pontas de uma Estrela” são duas dessas três parcerias citadas, mas a mais conhecida é “Paulo e Bebeto”, a primeira parceria dos dois, concluída em 1975: “Ê vida, vida, que amor brincadeira, à vera/Eles se amaram de qualquer maneira, à vera/Qualquer maneira de amor vale à pena/Qualquer maneira de amor vale amar...”. Paula e Bebeto faziam um casal de amigos da adolescência/juventude de Milton Nascimento, eram daquele tipo de casal que só vivia grudado um no outro. Parecia amor pra vida inteira.
Milton promera a eles uma música, montou a melodia mas não coseguia letrá-la. O tempo passou e o casal acabou se separando, mas insistiam em cobrar a música a Milton Nascimento. Milton mandou a melodia para Caetano, contou a estória da inspiração e lamentou o fato daquele amor ter acabado antes da conclusão da música. Caetano teria feito a letra de uma canetada só: “...Pena, que pena, que coisa bonita, diga/Qual a palavra que nunca foi dita, diga....” “ ..Eles partiram por outros assuntos, muitos/Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito/Qualquer maneira que eu cante este canto/Qualquer maneira me vale cantar/Eles se amam de qualquer maneira, à vera/Eles se amam é prá vida inteira, à vera/Qualquer maneira de amor vale o canto/Qualquer maneira me vale cantar/Qualquer maneira de amor vale aquela/Qualquer maneira de amor valerá”.
Argentina ladeira abaixo
Do Blog de Fernando Rodrigues - 04/02/2006
Outra da Argentina, sobretudo para quem acha que o país vizinho é um modelo de desenvolvimento econômico por ter decretado a moratória a crescido muito nos últimos tempos.
Em janeiro deste ano, o impostos coletados na Argentina totalizaram US$ 3,65 bilhões, segunda a Receita Federal portenha. O valor equivale a um aumento brutal de 26,8% sobre o mesmo mês em 2005. Nenhum país resiste muito tempo a esse tipo de alta na carga tributária.
Como já registrado antes aqui neste blog, a Argentina é uma miragem econômica. Krichner vive atrás dos empresários pedindo que contenham o aumento de preços. Até o preço do popular “dulce de leche” está tabelado. Não vai funcionar.
O PIB da Argentina cresce a 8% ou 9% por ano. OK. Só que o valor do PIB hoje é exatamente o mesmo de uns cinco anos atrás. Por quê? Porque a Argentina sofreu uma depressão de mais de 20% por causa da crise com a desvalorização do peso.
E mais:a inflação anual já passou dos 12%. No final deste ano, a crise será brava por lá.
Outra da Argentina, sobretudo para quem acha que o país vizinho é um modelo de desenvolvimento econômico por ter decretado a moratória a crescido muito nos últimos tempos.
Em janeiro deste ano, o impostos coletados na Argentina totalizaram US$ 3,65 bilhões, segunda a Receita Federal portenha. O valor equivale a um aumento brutal de 26,8% sobre o mesmo mês em 2005. Nenhum país resiste muito tempo a esse tipo de alta na carga tributária.
Como já registrado antes aqui neste blog, a Argentina é uma miragem econômica. Krichner vive atrás dos empresários pedindo que contenham o aumento de preços. Até o preço do popular “dulce de leche” está tabelado. Não vai funcionar.
O PIB da Argentina cresce a 8% ou 9% por ano. OK. Só que o valor do PIB hoje é exatamente o mesmo de uns cinco anos atrás. Por quê? Porque a Argentina sofreu uma depressão de mais de 20% por causa da crise com a desvalorização do peso.
E mais:a inflação anual já passou dos 12%. No final deste ano, a crise será brava por lá.
Minha Cidade...
Gomes - 24-01-2006:
Essa composição de Lula Queiroga, Lenine é Zé Braw, foi utilizada pela Rede Globo numa das homenagens feita ao aniversário da cidade do Recife. A Letra é bela, a melodia mais bela ainda. Abaixo apenas a letra:
MINHA CIDADE (menina dos olhos do mar)
Minha cidade
menina dos olhos do mar
dos rios que levam meu coração
do sol que começa à raiar
é por você que eu peço na minha loa
por essa gente tão boa
abre um sorriso e cantar
Minha cidade
das vilas, dos manguezais
dos altos e dos coqueiros
da fé que move o futuro
oh, Conceição, Senhora, abençoai
essa cidade que só quer crescer
e ser feliz
Recife eu te dou meu coração...3x
Recife eu te dou
olha o Recife
da grande festa popular
dos bravos guerreiros que a história nos deu
dos arranha-céus e sobrados
é prá você
que a gente oferece a loa
prá essa terra tão boa
abre a janela e cantar
minha cidade
menina dos olhos do mar
dos mascates, dos mercados
das pontes dos tempos de Holanda
oh, Conceição, senhora, abençoai
o meu Recife que só quer crescer
e ser feliz
teus bairros mostram a coragem residente
e reflete a luta no olhar
dessa gente humilde que procura vencer
ensina ao Recife e ao mesmo tempo aprender
minha cidade em evidência, silêncio e harmonia
com a beleza da noite e a intensidade do dia
vamos lembrar dos mestres e poetas
vamos lembrar dos que fizeram do Recife
essa festa
vamos lembrar frei caneca, Ascenço Ferreira
Nelson Ferreira, Brennand, Canibal,
Capiba, João Cabral, Chico Science, Josu,
vamos lembrar dos batutas de São José
Mestre Salú, Ariano, Zero quatro, Roger
daqui do Alto Zé do Pinho, mandando prá você
da Nação Zumbi, nação Pernambuco,
mangaba, faceta, Faces do Subúrbio...
é o Recife que o povo daqui descobriu
do marco zero para o ano 2000
Recife eu te dou meu coração
meu coração vai nas águas do rio...
Essa composição de Lula Queiroga, Lenine é Zé Braw, foi utilizada pela Rede Globo numa das homenagens feita ao aniversário da cidade do Recife. A Letra é bela, a melodia mais bela ainda. Abaixo apenas a letra:
MINHA CIDADE (menina dos olhos do mar)
Minha cidade
menina dos olhos do mar
dos rios que levam meu coração
do sol que começa à raiar
é por você que eu peço na minha loa
por essa gente tão boa
abre um sorriso e cantar
Minha cidade
das vilas, dos manguezais
dos altos e dos coqueiros
da fé que move o futuro
oh, Conceição, Senhora, abençoai
essa cidade que só quer crescer
e ser feliz
Recife eu te dou meu coração...3x
Recife eu te dou
olha o Recife
da grande festa popular
dos bravos guerreiros que a história nos deu
dos arranha-céus e sobrados
é prá você
que a gente oferece a loa
prá essa terra tão boa
abre a janela e cantar
minha cidade
menina dos olhos do mar
dos mascates, dos mercados
das pontes dos tempos de Holanda
oh, Conceição, senhora, abençoai
o meu Recife que só quer crescer
e ser feliz
teus bairros mostram a coragem residente
e reflete a luta no olhar
dessa gente humilde que procura vencer
ensina ao Recife e ao mesmo tempo aprender
minha cidade em evidência, silêncio e harmonia
com a beleza da noite e a intensidade do dia
vamos lembrar dos mestres e poetas
vamos lembrar dos que fizeram do Recife
essa festa
vamos lembrar frei caneca, Ascenço Ferreira
Nelson Ferreira, Brennand, Canibal,
Capiba, João Cabral, Chico Science, Josu,
vamos lembrar dos batutas de São José
Mestre Salú, Ariano, Zero quatro, Roger
daqui do Alto Zé do Pinho, mandando prá você
da Nação Zumbi, nação Pernambuco,
mangaba, faceta, Faces do Subúrbio...
é o Recife que o povo daqui descobriu
do marco zero para o ano 2000
Recife eu te dou meu coração
meu coração vai nas águas do rio...
Terra, Terra, Por mais distante...
Gomes - 22-01-2006:
Aliás, por falar em “Terra”, Caetano teria começado sua inspiração para compor a música homônima nos dias que passou preso no batalhão do exército no Rio, pra onde foi levado após ser detido (junto com Gil) em São Paulo, pela ditadura. Caetano diz que Dedé, sua esposa, levara a seu pedido para a prisão, revistas masculinas para que pudesse diminuir um pouco a solidão da sua cela, apreciando as modelos nuas.
Justo nesse período chegaram à terra as primeiras fotos do nosso planeta tiradas salvo engano da lua, fotos que foram também levadas por Dedá para a prisão. Então “quando eu me encontrava preso/ na cela de uma cadeia/ foi que eu vi pela primeira vez/ as tais fotografias em que apareces inteira/ porém lá não estavas nua/ e sim coberta de nuvens/ Terra, Terra/ por mais distante/ o errante navegante/ quem jamais te esquecerias” retrata um pouco do que Caetano vivenciava naqueles dias terríveis de sua vida. O trocadilho com “nua”, tem a ver com as fotos das mulheres nuas das revistas masculinas que ele consumia.
Aliás, por falar em “Terra”, Caetano teria começado sua inspiração para compor a música homônima nos dias que passou preso no batalhão do exército no Rio, pra onde foi levado após ser detido (junto com Gil) em São Paulo, pela ditadura. Caetano diz que Dedé, sua esposa, levara a seu pedido para a prisão, revistas masculinas para que pudesse diminuir um pouco a solidão da sua cela, apreciando as modelos nuas.
Justo nesse período chegaram à terra as primeiras fotos do nosso planeta tiradas salvo engano da lua, fotos que foram também levadas por Dedá para a prisão. Então “quando eu me encontrava preso/ na cela de uma cadeia/ foi que eu vi pela primeira vez/ as tais fotografias em que apareces inteira/ porém lá não estavas nua/ e sim coberta de nuvens/ Terra, Terra/ por mais distante/ o errante navegante/ quem jamais te esquecerias” retrata um pouco do que Caetano vivenciava naqueles dias terríveis de sua vida. O trocadilho com “nua”, tem a ver com as fotos das mulheres nuas das revistas masculinas que ele consumia.
Por que Corumbau?
Gomes - 22-01-2006:
Corumbau quer dizer "distante de tudo" em tupy-guarany. É também o nome de uma praia da Bahia, localizada uns 80km ao sul de Porto Seguro, de difícil acesso ainda hoje(daí talvez o nome), uma antiga aldeia de índios pataxós e ainda meio deserta. É uma ponta de terra entrando no mar: ponta de Corumbau. Conheci Corumbau quando ainda morava no extremo sul da Bahia (entre 1983 e 89), foi nessa ocasião conheci dona Jorgete, minha esposa. Estive várias vezes nessa praia. Naquela período só existia a pousada Jocotoca (cabanas independentes maravilhosas), hoje existem outras pousadas também excelentes, como a pousada São Francisco, dona do domínio www.corumbau.com.br, onde se pode visualizar fotos da beleza do lugar.
Se você não conhece, vá a Corumbau. De escuna, a partir de Porto Seguro(não dá pra ir pela Balsa do Arraial D’ájuda, depois de Trancoso e Caraíva existem rios sem pontes nem balsas), ou de carro, deixando a BR-101 em Itamaraju(Km 808-Sul), pegando a BA(rodovia estadual) que leva à praia do Prado e entrando à esquerda no povoado do Guarany, distante 15 km de Itamaraju. Depois de deixar a BA no Guarany, a estrada é toda de terra, até Corumbau. São uns 60kms de paisagens deslumbrantes, numa mistura de mata atlântica(o que ainda resta) com pastagens e fazendas de gado.
Também é possível chegar a Corumbau saindo da Praia do Prado. Tem que voltar uns 15 Km (no sentido Prado/Itamaraju) e entrar à direita na direção de Cumuruxatiba, outra praia muito bela que fica entre Prado e Corumbau. As águas de Corumbau são calmas, não dá pra surfar. Um pouco antes de chegar em Corumbau, pra quem vai por Cumuruxatiba, próximo à foz do Rio Caí, fica o museu aberto do descobrimento do Brasil. Dizem que foi ali na praia da frente do museu onde Cabral aportou sua nau, três dias antes de desembarcar definitivamente na praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro. “A Bahia tem um jeito”, como diz Caetano em “Terra”, mas as praias do extremo sul da Bahia, de Porto Seguro a Caravelas, não encontram paralelo no continente(cada um tem seus parâmetros), talvez só percam para as praias de Noronha, só que aí já é Pernambuco.
Corumbau quer dizer "distante de tudo" em tupy-guarany. É também o nome de uma praia da Bahia, localizada uns 80km ao sul de Porto Seguro, de difícil acesso ainda hoje(daí talvez o nome), uma antiga aldeia de índios pataxós e ainda meio deserta. É uma ponta de terra entrando no mar: ponta de Corumbau. Conheci Corumbau quando ainda morava no extremo sul da Bahia (entre 1983 e 89), foi nessa ocasião conheci dona Jorgete, minha esposa. Estive várias vezes nessa praia. Naquela período só existia a pousada Jocotoca (cabanas independentes maravilhosas), hoje existem outras pousadas também excelentes, como a pousada São Francisco, dona do domínio www.corumbau.com.br, onde se pode visualizar fotos da beleza do lugar.
Se você não conhece, vá a Corumbau. De escuna, a partir de Porto Seguro(não dá pra ir pela Balsa do Arraial D’ájuda, depois de Trancoso e Caraíva existem rios sem pontes nem balsas), ou de carro, deixando a BR-101 em Itamaraju(Km 808-Sul), pegando a BA(rodovia estadual) que leva à praia do Prado e entrando à esquerda no povoado do Guarany, distante 15 km de Itamaraju. Depois de deixar a BA no Guarany, a estrada é toda de terra, até Corumbau. São uns 60kms de paisagens deslumbrantes, numa mistura de mata atlântica(o que ainda resta) com pastagens e fazendas de gado.
Também é possível chegar a Corumbau saindo da Praia do Prado. Tem que voltar uns 15 Km (no sentido Prado/Itamaraju) e entrar à direita na direção de Cumuruxatiba, outra praia muito bela que fica entre Prado e Corumbau. As águas de Corumbau são calmas, não dá pra surfar. Um pouco antes de chegar em Corumbau, pra quem vai por Cumuruxatiba, próximo à foz do Rio Caí, fica o museu aberto do descobrimento do Brasil. Dizem que foi ali na praia da frente do museu onde Cabral aportou sua nau, três dias antes de desembarcar definitivamente na praia da Coroa Vermelha, em Porto Seguro. “A Bahia tem um jeito”, como diz Caetano em “Terra”, mas as praias do extremo sul da Bahia, de Porto Seguro a Caravelas, não encontram paralelo no continente(cada um tem seus parâmetros), talvez só percam para as praias de Noronha, só que aí já é Pernambuco.
Só Ayrton Senna para tirar um ensaio da revista Playboy
Gomes em 18-01-2006
Adriane Galisteu era apenas uma dessas meninas bonitas que seguram o guarda-sol para o piloto ficar no bem-bom nos GP da Fórmula 1. Pois ela foi vista por um dos olheiros da Playboy em Interlagos, durante o GP do Brasil, em março de 1993, e por módicos 5 mil dólares posou para um ensaio. Nua, é claro.
No mês em que o ensaio seria publicado sem nenhum alarde, eis que Ayrton Senna telefona para mim, que dirigia a revista à época. E pergunta se podia me pedir um favor.
O Brasil vivia um baixo-astral sem tamanho, logo após o impeachment de Fernando Collor, e das poucas alegrias que nós, brasileiros, tínhamos eram as vitórias de Senna, aos domingos pela manhã, com direito a uma volta com a bandeira nacional.
E eu respondi a ele: “Ayrton, você, o Pelé, Chico Buarque de Holanda e dom Paulo Evaristo Arns [que era o cardeal de São Paulo] não pedem favor neste país: vocês mandam. O que você quer que eu faça?” E ele, muito tímido, falando de Sintra, em Portugal, da casa do empresário Antônio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha, me disse que estava namorando uma moça chamada Adriane e que ela tinha posado para Playboy, para seu desgosto. “Será que dá para não publicar o ensaio?”, perguntou.
“Já deu”, respondi. “Você quer que eu mande as fotos aí para você ou para seu escritório em São Paulo?” Não me lembro da resposta dele, apenas que chamei a pessoa responsável pela edição das fotos, pedi que me trouxessem todas, avisei que o ensaio não sairia e mandei as fotos para ele, numa boa, sem dúvida de que estava fazendo a coisa certa. Sorte de la Galisteu.
Dois anos depois, ela estava na capa de Playboy, em agosto de 1995, com um cachê que, suponho (eu saí da revista em 1994 – e nem se soubesse exatamente o valor eu contaria), tenha sido umas sessenta vezes maior que o anterior.
Tempos depois do sucesso em Playboy, vazou, pela própria modelo, a história do pedido de Senna, embora de maneira incorreta. Adriane contava que o namorado ciumento havia comprado as fotos de volta, o que seria até justo, pois a revista havia pagado por elas. Mas, de fato, nem isso aconteceu. Senna propôs mesmo repor o valor gasto, e eu fiquei, erradamente, sem jeito de aceitar. Acabei sendo generoso com um dinheiro que não era meu, era da editora Abril.
Mas, afinal, o que eram 5 mil dólares diante do que Adriane recebeu depois? Esse, sim, foi um prejuízo histórico. Inenarrável. Agora, enfim, narrado, com detalhes, por escrito.
Tenho certeza de que, depois de ler estas poucas linhas, à guisa de memórias a direção da Abril dará mais uma vez graças a Deus por ter se livrado de mim, jornalista comum, negociante para lá de desastrado! E de que Adriane Galisteu mais uma vez sorrirá, agradecida.
De nada.
(Extraído do livro "Meninos, eu vi", de Juca Kfouri, editoras DBA/Lance!)
Adriane Galisteu era apenas uma dessas meninas bonitas que seguram o guarda-sol para o piloto ficar no bem-bom nos GP da Fórmula 1. Pois ela foi vista por um dos olheiros da Playboy em Interlagos, durante o GP do Brasil, em março de 1993, e por módicos 5 mil dólares posou para um ensaio. Nua, é claro.
No mês em que o ensaio seria publicado sem nenhum alarde, eis que Ayrton Senna telefona para mim, que dirigia a revista à época. E pergunta se podia me pedir um favor.
O Brasil vivia um baixo-astral sem tamanho, logo após o impeachment de Fernando Collor, e das poucas alegrias que nós, brasileiros, tínhamos eram as vitórias de Senna, aos domingos pela manhã, com direito a uma volta com a bandeira nacional.
E eu respondi a ele: “Ayrton, você, o Pelé, Chico Buarque de Holanda e dom Paulo Evaristo Arns [que era o cardeal de São Paulo] não pedem favor neste país: vocês mandam. O que você quer que eu faça?” E ele, muito tímido, falando de Sintra, em Portugal, da casa do empresário Antônio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha, me disse que estava namorando uma moça chamada Adriane e que ela tinha posado para Playboy, para seu desgosto. “Será que dá para não publicar o ensaio?”, perguntou.
“Já deu”, respondi. “Você quer que eu mande as fotos aí para você ou para seu escritório em São Paulo?” Não me lembro da resposta dele, apenas que chamei a pessoa responsável pela edição das fotos, pedi que me trouxessem todas, avisei que o ensaio não sairia e mandei as fotos para ele, numa boa, sem dúvida de que estava fazendo a coisa certa. Sorte de la Galisteu.
Dois anos depois, ela estava na capa de Playboy, em agosto de 1995, com um cachê que, suponho (eu saí da revista em 1994 – e nem se soubesse exatamente o valor eu contaria), tenha sido umas sessenta vezes maior que o anterior.
Tempos depois do sucesso em Playboy, vazou, pela própria modelo, a história do pedido de Senna, embora de maneira incorreta. Adriane contava que o namorado ciumento havia comprado as fotos de volta, o que seria até justo, pois a revista havia pagado por elas. Mas, de fato, nem isso aconteceu. Senna propôs mesmo repor o valor gasto, e eu fiquei, erradamente, sem jeito de aceitar. Acabei sendo generoso com um dinheiro que não era meu, era da editora Abril.
Mas, afinal, o que eram 5 mil dólares diante do que Adriane recebeu depois? Esse, sim, foi um prejuízo histórico. Inenarrável. Agora, enfim, narrado, com detalhes, por escrito.
Tenho certeza de que, depois de ler estas poucas linhas, à guisa de memórias a direção da Abril dará mais uma vez graças a Deus por ter se livrado de mim, jornalista comum, negociante para lá de desastrado! E de que Adriane Galisteu mais uma vez sorrirá, agradecida.
De nada.
(Extraído do livro "Meninos, eu vi", de Juca Kfouri, editoras DBA/Lance!)
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