GOMES -22-12-2007:
Do blog de Luiz Nassif:
Se alguém tinha dúvidas sobre como as pesquisas eleitorais podem ser manipuladas, uma pequena matéria da “Folha” (que merecia destaque maior) demonstra.
A matéria fala de duas pesquisas do IBOPE sobre as eleições municipais de São Paulo. Em um dos levantamentos, divulgado pela TV Globo, Martha vence por 46% a 35%. Em outro, encomendado pela Associação Comercial de São Paulo (ligada a Kassab) ele vence por 47% a 38%. A diferença entre as pesquisas é de menos de um mês.
Qual o truque? No caso da pesquisa da ACSP, antes de perguntar sobre as intenções de voto, a pesquisa tinha oito questões sobre as obras de Kassab na cidade. Depois de lembrar (ou informar ) o leitor sobre as boas obras, sapecava a pergunta: em quem votaria?
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sábado, 26 de dezembro de 2009
Senador por Pernambuco
GOMES - 09-12-2007:
Deu na IstoÉ
Lula pensa em ser candidato ao Senado em 2010
De Sérgio Pardellas:
O novo plano já está traçado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a discutir, nos últimos dias, o seu futuro político com um grupo restrito de interlocutores. Engavetada a idéia do terceiro mandato consecutivo, Lula alimenta agora o projeto de concorrer ao Senado por Pernambuco, sua terra natal e Estado onde atinge os mais altos índices de popularidade. Para poder disputar uma cadeira no Legislativo, Lula sabe que precisará se licenciar da Presidência em abril de 2010. Quanto a isso, não há problemas, adiantou. A licença permitirá que o presidente entre de corpo e alma na campanha eleitoral para fazer um sucessor de sua estrita confiança.
Deu na IstoÉ
Lula pensa em ser candidato ao Senado em 2010
De Sérgio Pardellas:
O novo plano já está traçado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a discutir, nos últimos dias, o seu futuro político com um grupo restrito de interlocutores. Engavetada a idéia do terceiro mandato consecutivo, Lula alimenta agora o projeto de concorrer ao Senado por Pernambuco, sua terra natal e Estado onde atinge os mais altos índices de popularidade. Para poder disputar uma cadeira no Legislativo, Lula sabe que precisará se licenciar da Presidência em abril de 2010. Quanto a isso, não há problemas, adiantou. A licença permitirá que o presidente entre de corpo e alma na campanha eleitoral para fazer um sucessor de sua estrita confiança.
Rio São Francisco
GOMES - 11-12-2007:
Esse é um assunto que me deixa demasiado dividido, tendendo mais para a rejeição da transposição, talvez sob influência da cômoda condição de ribeirinho. Ainda mais agora sabendo da posição dessa deusa.
FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SOBRADINHO

Cappio conversa com Letícia Sabatella, em Sobradinho
Marco Aurélio Martins/Agência A Tarde
O bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, 61, em greve de fome há 12 dias contra a transposição do rio São Francisco, recebeu ontem apoio de artistas ligados ao Movimento Humanos Direitos. Integrante do grupo, a atriz Letícia Sabatella encontrou o religioso, em Sobradinho (a 540 km de Salvador), e criticou o projeto e o presidente Lula.
Cappio recebeu uma carta do movimento, assinada pela diretora da entidade, a atriz Dira Paes. Na mensagem assinada por 40 integrantes do grupo -entre eles os atores Wagner Moura, Osmar Prado, Camila Pitanga e Leonardo Vieira-, a entidade elogia o bispo, pede a revitalização do rio e o arquivamento do projeto da transposição.
A chegada de Letícia Sabatella à cidade provocou um pequeno tumulto do lado de fora da igreja de São Francisco, onde Cappio protesta.
Sem maquiagem, usando chinelos de couro, a atriz se sentou no chão, ao lado do bispo, que descansava em uma cadeira de plástico à sombra de uma árvore. Durante a conversa, ela chorou três vezes. "O presidente Lula deve retomar o governo popular, ouvir o que o povo quer", disse a atriz. "Nós o elegemos com a esperança da mudança", declarou.
Cappio, que hoje ultrapassa os 11 dias de jejum da primeira greve de fome, há dois anos, afirma que só voltará a se alimentar se o governo suspender a obra. O governo diz que a obra continua.
Hoje, manifestantes de oito Estados se reunirão em Sobradinho para a maior manifestação de apoio ao bispo. Deverão participar cerca de dez mil pessoas.
Esse é um assunto que me deixa demasiado dividido, tendendo mais para a rejeição da transposição, talvez sob influência da cômoda condição de ribeirinho. Ainda mais agora sabendo da posição dessa deusa.
FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SOBRADINHO

Cappio conversa com Letícia Sabatella, em Sobradinho
Marco Aurélio Martins/Agência A Tarde
O bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, 61, em greve de fome há 12 dias contra a transposição do rio São Francisco, recebeu ontem apoio de artistas ligados ao Movimento Humanos Direitos. Integrante do grupo, a atriz Letícia Sabatella encontrou o religioso, em Sobradinho (a 540 km de Salvador), e criticou o projeto e o presidente Lula.
Cappio recebeu uma carta do movimento, assinada pela diretora da entidade, a atriz Dira Paes. Na mensagem assinada por 40 integrantes do grupo -entre eles os atores Wagner Moura, Osmar Prado, Camila Pitanga e Leonardo Vieira-, a entidade elogia o bispo, pede a revitalização do rio e o arquivamento do projeto da transposição.
A chegada de Letícia Sabatella à cidade provocou um pequeno tumulto do lado de fora da igreja de São Francisco, onde Cappio protesta.
Sem maquiagem, usando chinelos de couro, a atriz se sentou no chão, ao lado do bispo, que descansava em uma cadeira de plástico à sombra de uma árvore. Durante a conversa, ela chorou três vezes. "O presidente Lula deve retomar o governo popular, ouvir o que o povo quer", disse a atriz. "Nós o elegemos com a esperança da mudança", declarou.
Cappio, que hoje ultrapassa os 11 dias de jejum da primeira greve de fome, há dois anos, afirma que só voltará a se alimentar se o governo suspender a obra. O governo diz que a obra continua.
Hoje, manifestantes de oito Estados se reunirão em Sobradinho para a maior manifestação de apoio ao bispo. Deverão participar cerca de dez mil pessoas.
O álibe Chaves
GOMES - 05-12-2007:
Do blog de Luís Nassif, de hoje.
Alguns leitores manifestam espanto com a importância dada, pela imprensa brasileira, aos movimentos da Venezuela. O que temos a ver com isso, é a pergunta?
A rigor, muito pouco. A Venezuela é um país soberano para resolver seus problemas. Sendo ditadura ou democracia – como tantas outras que vicejaram no continente – o Brasil não vai se intrometer, como não se intrometeu com a Bolívia de Banzer e o Peru de Fujimori.
Então porque esse alarido todo?
Porque Hugo Chávez foi utilizado, desde o começo, para criar, internamente, a assombração que, por mais que se tentasse, Lula não encarnou. A idéia da ameaça às instituições, continuamente brandida por esses setores da mídia – liderados por FHC -, não conseguia colar na figura de Lula.
Ora, presidentes da República têm responsabilidades institucionais, especialmente no campo das relações exteriores. Forçava-se Lula a condenar o presidente de uma nação vizinha, para “provar” que não iria pelo mesmo caminho.
Cada palavra de Lula, que não fosse de condenação explícita a Chávez, provocava uma atoarda de insinuações. Qualquer tentativa de se abrir espaço para o pensamento desenvolvimentista na mesma hora provocava a reação através do “álibi Chávez”.
A ponto do plebiscito venezuelano ser acompanhado, por aqui, como se fosse um Fla-Flu. E a derrota da mudança constitucional saudada como se fosse a salvação da democracia no Continente.
É curioso como esse clima de guerra fria, esse dirieitismo embolorado, conseguiu se infiltrar pela grande mídia, a ponto de contaminar colunistas de bom nível. O banheiro, que era restrito a alguns blogs de esgoto, foi colocado na sala de visitas.
Do blog de Luís Nassif, de hoje.
Alguns leitores manifestam espanto com a importância dada, pela imprensa brasileira, aos movimentos da Venezuela. O que temos a ver com isso, é a pergunta?
A rigor, muito pouco. A Venezuela é um país soberano para resolver seus problemas. Sendo ditadura ou democracia – como tantas outras que vicejaram no continente – o Brasil não vai se intrometer, como não se intrometeu com a Bolívia de Banzer e o Peru de Fujimori.
Então porque esse alarido todo?
Porque Hugo Chávez foi utilizado, desde o começo, para criar, internamente, a assombração que, por mais que se tentasse, Lula não encarnou. A idéia da ameaça às instituições, continuamente brandida por esses setores da mídia – liderados por FHC -, não conseguia colar na figura de Lula.
Ora, presidentes da República têm responsabilidades institucionais, especialmente no campo das relações exteriores. Forçava-se Lula a condenar o presidente de uma nação vizinha, para “provar” que não iria pelo mesmo caminho.
Cada palavra de Lula, que não fosse de condenação explícita a Chávez, provocava uma atoarda de insinuações. Qualquer tentativa de se abrir espaço para o pensamento desenvolvimentista na mesma hora provocava a reação através do “álibi Chávez”.
A ponto do plebiscito venezuelano ser acompanhado, por aqui, como se fosse um Fla-Flu. E a derrota da mudança constitucional saudada como se fosse a salvação da democracia no Continente.
É curioso como esse clima de guerra fria, esse dirieitismo embolorado, conseguiu se infiltrar pela grande mídia, a ponto de contaminar colunistas de bom nível. O banheiro, que era restrito a alguns blogs de esgoto, foi colocado na sala de visitas.
O teatro da cpmf
GOMES - 30-11-2007:
Do blog de Luís Nassif.
A FIESP lançou a campanha contra a CPMF para marcar posição política. Acho que não esperava que pegasse.
O PSDB impôs algumas condições para valorizar a votação, já que seus governadores necessitam dessa aprovação.
De jogo de cena em jogo de cena, o tema pegou. Agora, toca a manter o jogo de cena e recuar nem tão rapidamente que pareça fuga, nem tão lentamente que pareça provocação.
Ontem o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse que se o governo acenar com parcela maior da CPMF na Saúde, o partido apóia. Aécio, Serra, Yeda, todos estão tremendo de receio de não passar a prorrogação da CPMF.
Só FHC, que não tem responsabilidades de governo, quer ver o circo pegar fogo.
Do blog de Luís Nassif.
A FIESP lançou a campanha contra a CPMF para marcar posição política. Acho que não esperava que pegasse.
O PSDB impôs algumas condições para valorizar a votação, já que seus governadores necessitam dessa aprovação.
De jogo de cena em jogo de cena, o tema pegou. Agora, toca a manter o jogo de cena e recuar nem tão rapidamente que pareça fuga, nem tão lentamente que pareça provocação.
Ontem o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse que se o governo acenar com parcela maior da CPMF na Saúde, o partido apóia. Aécio, Serra, Yeda, todos estão tremendo de receio de não passar a prorrogação da CPMF.
Só FHC, que não tem responsabilidades de governo, quer ver o circo pegar fogo.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
A revolução esquecida
GOMES - 24-11-2007:
Louvável a iniciativa da deputada Terezinha Nunes, no sentido da instituição da data magna de Pernambuco. Esse blog fez um comentário a respeito do assunto em março de 2006 (veja abaixo ou clicando aqui ). O blog teve ainda a felicidade de sugeri-la como data que poderia ser a mais importante do Estado, e parece ter acertado novamente (vejam os resultados e votem no portal da Assembléia Legislativa). E viva a Revolução de 1817, que vai deixar de ser a revolução esquecida. Viva o 06/Mar. Viva Pernambuco!
Louvável a iniciativa da deputada Terezinha Nunes, no sentido da instituição da data magna de Pernambuco. Esse blog fez um comentário a respeito do assunto em março de 2006 (veja abaixo ou clicando aqui ). O blog teve ainda a felicidade de sugeri-la como data que poderia ser a mais importante do Estado, e parece ter acertado novamente (vejam os resultados e votem no portal da Assembléia Legislativa). E viva a Revolução de 1817, que vai deixar de ser a revolução esquecida. Viva o 06/Mar. Viva Pernambuco!
Pernambuco, é ou não é?
GOMES - 11-11-2007:
Essa contribuição do meu amigo Dudu Coimbra:
Durante escavações nos EUA, arqueólogos descobriram, a 100m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.
Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu subsolo, encontrando restos de fibras óticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra ótica quando Jesus nasceu!
Uma semana depois, em Recife, foi publicado o seguinte anúncio:
"Após escavações arqueológicas no sub-solo de Recife, Brejo da Madre de Deus, Jupi e diversas outras cidades de Pernambuco, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas pernambucanos não encontraram nenhum tipo de fio de cobra ou cabos óticos, absolutamente nada.
Arqueólogos chegam a conclusão que os antigos pernambucanos já dispunham, há 5.000 anos, de uma rede wireless!"
Ô POVIN ARRETADO!!!
Essa contribuição do meu amigo Dudu Coimbra:
Durante escavações nos EUA, arqueólogos descobriram, a 100m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1000. Os americanos concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época.
Os argentinos, para não ficarem para trás, escavaram também seu subsolo, encontrando restos de fibras óticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os argentinos concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra ótica quando Jesus nasceu!
Uma semana depois, em Recife, foi publicado o seguinte anúncio:
"Após escavações arqueológicas no sub-solo de Recife, Brejo da Madre de Deus, Jupi e diversas outras cidades de Pernambuco, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas pernambucanos não encontraram nenhum tipo de fio de cobra ou cabos óticos, absolutamente nada.
Arqueólogos chegam a conclusão que os antigos pernambucanos já dispunham, há 5.000 anos, de uma rede wireless!"
Ô POVIN ARRETADO!!!
Eta Pernambuco!
Gomes - 07-03-2006:
O Jornalista Paulo Santos, consegue no texto abaixo fazer um resgate verdadeiro e puro de uma das mais gloriosas e emocionantes passagens da história do nosso Estado.
Meus amigos, que me conhecem, sabem o quanto reclamo da falta que faz uma data comemorativa do passado de glória do nosso povo pernambucano.
E vêm a Bahia, com seu 2 de julho, São Paulo, com seu 9 de julho, e os Gaúchos com a Revolução Farroupilha, sempre comemoradas de maneira efusiva. Nenhuma dessas datas, com todo respeito, tem maior grandeza que o 6 de março de 1817 da revolução pernambucana, ou a até a própria Confederação do Equador, sete anos depois, movimento mais democrático e popular que a revolução de 17.
O Jornalista Paulo Santos, consegue no texto abaixo fazer um resgate verdadeiro e puro de uma das mais gloriosas e emocionantes passagens da história do nosso Estado.
Meus amigos, que me conhecem, sabem o quanto reclamo da falta que faz uma data comemorativa do passado de glória do nosso povo pernambucano.
E vêm a Bahia, com seu 2 de julho, São Paulo, com seu 9 de julho, e os Gaúchos com a Revolução Farroupilha, sempre comemoradas de maneira efusiva. Nenhuma dessas datas, com todo respeito, tem maior grandeza que o 6 de março de 1817 da revolução pernambucana, ou a até a própria Confederação do Equador, sete anos depois, movimento mais democrático e popular que a revolução de 17.
1817: a Revolução esquecida
Gomes - 06-03-2006:
Por PAULO SANTOS
O dia 21 do mês que vem será feriado nacional. Todo mundo vai lembrar de Tiradentes, o mártir da Independência, e também agradecerá a ele, não só pelo sacrifício que fez por nós, mas também pelo fato de a efeméride, este ano, cair numa sexta-feira, o que permitirá um feriadão. Mas o dia seis de março – que também já foi feriado nacional – vai passar em branco. Todos estudamos no colégio um importante evento histórico, ocorrido aqui, nessa data, mas alguém, por acaso, lembra dele? Pois vamos rememorar: em seis de março de 1817 (cinco anos antes do Sete de Setembro) o Recife se levantou contra o domínio português. Poucos dias depois as províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte, lideradas por Pernambuco (do qual Alagoas fazia parte, na época) também se rebelaram, e – com todo respeito aos inconfidentes mineiros – o Brasil foi independente, de fato, pela primeira vez!
Aqui, em nosso Estado, foi proclamada uma República e por mais de dois meses, pela primeira vez os brasileiros tiveram governo próprio, constituição, exército, esquadra e até embaixadas no exterior. Fomos além de decretar a autonomia política, antes que um aventureiro o fizesse: proclamamos a igualdade social e a liberdade religiosa, de pensamento e de imprensa, e não só tentamos acabar com a escravidão, mas também com a discriminação contra negros e mulatos! Tudo, também, pela primeira vez no Brasil!
Finalmente – e, de novo, com todo respeito ao sacrifício dos mineiros – a repressão ao nosso movimento não causou apenas uma vítima. Aqui foram cerca de 1.600 mortos e feridos – um verdadeiro genocídio, considerando que o Recife tinha entre 30 e 40 mil habitantes, na época – além de mais de 800 degredados. Apesar da magnitude desses acontecimentos, hoje em dia se sabe quem foi Tiradentes, muita gente conhece a história da bandeira de Minas Gerais, a do triângulo vermelho em fundo branco e do Libertas que Serae Tamen, entretanto, quase ninguém saberia dizer quem foi Gervásio Pires, Vigário Tenório, Cruz Cabugá, que dão nome a ruas do Recife. Tampouco faria idéia de onde veio nossa linda bandeira azul e branca, exibida por toda parte com tanto orgulho, e o que significam o sol, a estrela, o arco-íris e a cruz...
Apenas em 1917, quando transcorreu o centenário da Revolução Pernambucana, houve emissão de selo pelos Correios e a data foi comemorada. Esse dia foi feriado em todo o País. Depois a data mergulhou no esquecimento, não é relembrada sequer em nosso Estado, cujo povo é orgulhoso das suas tradições e onde o período holandês é tão conhecido e badalado. O motivo desse apagão político e cultural, entretanto, é relativamente simples: pelas suas avançadas propostas sociais e políticas, aquele movimento foi sempre execrado por interesses poderosos. No período colonial e no Império, louvou-se muito a bravura dos que expulsaram os holandeses, mas os revolucionários de 17 eram tratados – compreensivelmente – como rebeldes anarquistas, portadores de consciências depravadas, inconfidentes malvados que transformaram num covil de monstros o teatro onde brilhara a fidelidade de Fernandes Vieira, Henrique Dias e outros tratados como heróis...
De Pernambuco, dizia-se, “emana o vapor maligno da democracia!” Durante a Primeira República, de 1889 a 1930, nossa República de 1817, que tinha uma certa identidade com ela, ainda foi visto com bons olhos, mas, a seguir, no período getulista, centralizador e autoritário, novamente deixou de ser simpática, por ter defendido e apregoado o respeito à democracia, a divisão e a descentralização do poder. Nossos revolucionários, enfim, não apenas foram esmagados em vida: a memória deles continuou a ser perseguida pelos séculos afora! Nem todos, é claro, se omitiram. Historiadores fizeram a parte deles, como Muniz Tavares (um participante) e Oliveira Lima, quanto os contemporâneos como Amaro Quintas e Manoel Correia de Andrade – além de pensadores de outros centros, como Carlos Guilherme Mota – estudaram e analisaram tudo cuidadosamente. Mas o trabalho historiográfico, infelizmente, não atinge o grande público. Apenas o interesse dos poderes públicos, dos meios de comunicação e, finalmente, dos artistas, é que poderá algum dia popularizar e dar vida à memória da Revolução Pernambucana de 1817, que foi curta, intensa, apaixonada, romântica e, se tivesse triunfado, teria dado um rumo diferente – e, talvez, bem melhor – ao nosso País.
Paulo Santos é jornalista
Por PAULO SANTOS
O dia 21 do mês que vem será feriado nacional. Todo mundo vai lembrar de Tiradentes, o mártir da Independência, e também agradecerá a ele, não só pelo sacrifício que fez por nós, mas também pelo fato de a efeméride, este ano, cair numa sexta-feira, o que permitirá um feriadão. Mas o dia seis de março – que também já foi feriado nacional – vai passar em branco. Todos estudamos no colégio um importante evento histórico, ocorrido aqui, nessa data, mas alguém, por acaso, lembra dele? Pois vamos rememorar: em seis de março de 1817 (cinco anos antes do Sete de Setembro) o Recife se levantou contra o domínio português. Poucos dias depois as províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte, lideradas por Pernambuco (do qual Alagoas fazia parte, na época) também se rebelaram, e – com todo respeito aos inconfidentes mineiros – o Brasil foi independente, de fato, pela primeira vez!
Aqui, em nosso Estado, foi proclamada uma República e por mais de dois meses, pela primeira vez os brasileiros tiveram governo próprio, constituição, exército, esquadra e até embaixadas no exterior. Fomos além de decretar a autonomia política, antes que um aventureiro o fizesse: proclamamos a igualdade social e a liberdade religiosa, de pensamento e de imprensa, e não só tentamos acabar com a escravidão, mas também com a discriminação contra negros e mulatos! Tudo, também, pela primeira vez no Brasil!
Finalmente – e, de novo, com todo respeito ao sacrifício dos mineiros – a repressão ao nosso movimento não causou apenas uma vítima. Aqui foram cerca de 1.600 mortos e feridos – um verdadeiro genocídio, considerando que o Recife tinha entre 30 e 40 mil habitantes, na época – além de mais de 800 degredados. Apesar da magnitude desses acontecimentos, hoje em dia se sabe quem foi Tiradentes, muita gente conhece a história da bandeira de Minas Gerais, a do triângulo vermelho em fundo branco e do Libertas que Serae Tamen, entretanto, quase ninguém saberia dizer quem foi Gervásio Pires, Vigário Tenório, Cruz Cabugá, que dão nome a ruas do Recife. Tampouco faria idéia de onde veio nossa linda bandeira azul e branca, exibida por toda parte com tanto orgulho, e o que significam o sol, a estrela, o arco-íris e a cruz...
Apenas em 1917, quando transcorreu o centenário da Revolução Pernambucana, houve emissão de selo pelos Correios e a data foi comemorada. Esse dia foi feriado em todo o País. Depois a data mergulhou no esquecimento, não é relembrada sequer em nosso Estado, cujo povo é orgulhoso das suas tradições e onde o período holandês é tão conhecido e badalado. O motivo desse apagão político e cultural, entretanto, é relativamente simples: pelas suas avançadas propostas sociais e políticas, aquele movimento foi sempre execrado por interesses poderosos. No período colonial e no Império, louvou-se muito a bravura dos que expulsaram os holandeses, mas os revolucionários de 17 eram tratados – compreensivelmente – como rebeldes anarquistas, portadores de consciências depravadas, inconfidentes malvados que transformaram num covil de monstros o teatro onde brilhara a fidelidade de Fernandes Vieira, Henrique Dias e outros tratados como heróis...
De Pernambuco, dizia-se, “emana o vapor maligno da democracia!” Durante a Primeira República, de 1889 a 1930, nossa República de 1817, que tinha uma certa identidade com ela, ainda foi visto com bons olhos, mas, a seguir, no período getulista, centralizador e autoritário, novamente deixou de ser simpática, por ter defendido e apregoado o respeito à democracia, a divisão e a descentralização do poder. Nossos revolucionários, enfim, não apenas foram esmagados em vida: a memória deles continuou a ser perseguida pelos séculos afora! Nem todos, é claro, se omitiram. Historiadores fizeram a parte deles, como Muniz Tavares (um participante) e Oliveira Lima, quanto os contemporâneos como Amaro Quintas e Manoel Correia de Andrade – além de pensadores de outros centros, como Carlos Guilherme Mota – estudaram e analisaram tudo cuidadosamente. Mas o trabalho historiográfico, infelizmente, não atinge o grande público. Apenas o interesse dos poderes públicos, dos meios de comunicação e, finalmente, dos artistas, é que poderá algum dia popularizar e dar vida à memória da Revolução Pernambucana de 1817, que foi curta, intensa, apaixonada, romântica e, se tivesse triunfado, teria dado um rumo diferente – e, talvez, bem melhor – ao nosso País.
Paulo Santos é jornalista
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