Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador música. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de janeiro de 2010

A invenção da guitarra elétrica



Por Quintela – do blog de Luis Nassif

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/08/13/a-invencao-da-guitarra-eletrica/#more-32268

Poucas pessoas sabem… mas quem inventou a guitarra elétrica foi o brasileiro Osmar Macedo. Numa viagem ao Brasil, na Bahia, o americano, Leo Fender, se encantou com o “pau elétrico” e levou com ele para os EUA um protótipo do pau elétrico que alguns anos depois foi patenteada como sendo sua invenção. Essa história é contada por Armandinho(na foto acima), filho de Osmar.

Existia em Salvador um conjunto musical, criado por Dorival Caymmi, que animava algumas festas e reuniões de fim de semana, e que se apresentava nas estações de rádio. Começava, então, a fazer sucesso na Bahia o grupo Três e Meio, cujos integrantes eram o próprio Caymmi, Alberto Costa, Zezinho Rodrigues e Adolfo Nascimento, o Dodô. Em 1938, com a saída de Caymmi, o grupo reestruturou-se e passou a contar com sete componentes, incluindo Osmar Macêdo.

Em 1942 em apresentação na cidade de Salvador, o violonista clássico Benedito Chaves (RJ) mostrou pela primeira vez ao público local um “violão eletrizado”. Dodô e Osmar, ávidos em conhecer tal instrumento, foram assistir ao show no cine Guarani e ficaram extremamente entusiasmados. Embora fosse um violão comum, importado e com um captador inserido à sua boca, o instrumento era muito primitivo e possuía microfonia. Dodô, porém, incansável na busca da superação deste problema, construiu em poucos dias um violão igualzinho ao de Benedito Chaves para ele, e um cavaquinho para Osmar.

Apesar da microfonia persistir, os dois uniram-se mais uma vez para formar a “Dupla Elétrica” e começaram a se apresentar em diversos lugares. Num determinado dia, Dodô resolveu esticar uma corda de violão sobre a sua bancada de trabalho e prendê-la nas extremidades; sob a corda, colocou um microfone preso à bancada. Quando a dupla ligou o microfone, algo inacreditável aconteceu um som limpo, que parecia até o de um sino. Estava, então, descoberto o princípio e logo foi possível perceber que o “cêpo maciço” evitava o fenômeno da microfonia e assim, com o nome de pau elétrico, nasceu a guitarra baiana. Outras pessoas, em outros países, pesquisavam a amplificação sonora de instrumentos pela energia, e até hoje não se tem certeza de quem foi mesmo que chegou primeiro à guitarra elétrica, se os dois baianos ou os dois americanos, Léo Fender e Doc Kauffman. Mas estes, no ano seguinte, patentearam o invento.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Djavan




Do blog de Moacir Oliveira (http://www.moampb.blogspot.com/)

Moacir: Quais foram as suas influências musicais? De que água você bebe?

Djavan: Eu bebi de todos os rios que encontrei à minha frente, sempre respirei música.

Eu nasci numa família muito cantante. Em casa aquela coisa de passar o dia cantando fazendo o trabalho da casa,fui criado neste clima.

Eu me criei assim, sou uma pessoa muito observadora, sempre tive a música no sangue, nunca fiz outra coisa na minha vida.

No Nordeste, em Maceió, onde foi a região que eu nasci, o que predominava era a música nordestina através de Luís Gonzaga, por exemplo, que é talvez a minha maior cama. Jackson do Pandeiro e Dorival Caimmy.

Depois vieram bossa nova, jazz, clássico, Nelson Gonçalves, Ângela Maria e Beatles.

Eu tive uma formação musical muito diversificada, eu caí por todos os caminhos. Eu acho que a música tem que ser uma coisa abrangente, sem mistérios, sem segredos e a minha formação foi sempre assim muito diversificada.

Depois que descobri a África foi uma coisa ¨mimosissíma¨. Pude observar o quanto tinha de identidade. O quanto conheci naqueles cantos africanos através do que minha mãe cantava. Minha mãe também fazia música para ninar os filhos, aquela coisa bem carinhosa do nordeste.

Quer dizer que a minha formação musical é essa, uma coisa bem heterogênea.

Moacir: A poesia é sempre muito marcante, muito forte no seu trabalho. De onde vieram as influências literárias?

Djavan: Primeiro tem como base uma grande formação de cordel. Porque como nordestino que sou é infalível. O cordel está presente nas feiras, nas festas, etc. Depois vieram os grandes poetas como Drumond, José Lins do Rego, Bandeira, Pablo Neruda. Depois fui conhecendo os poetas europeus.

O Drumond, talvez, seja o poeta que mais me fascina. Tem uma mulher que me fascina muito, que é a Adélia Prado, uma poeta mineira, fantástica. Leio muita poesia, é minha leitura preferida.
Texto de entrevista inédita realizada em 1986, por Moacir Oliveira.

Mestre Sivuca


Do blog de Moacir Oliveira (http://www.moampb.blogspot.com/)

Moacir: Como surgiu a parceria com Chico Buarque, João e Maria ?

Sivuca: É. A história de João e Maria é interessante porque foi uma música que eu fiz em 1947, em Recife.
Eu não tocava daquele jeito que o Chico toca na nova versão. Eu tocava bem pesado, melodiosa, bem romântica para acordar as garotinhas (risos).

Aí quando eu mostrei a música, ele disse:
Vou fazer uma letra para esta música que é muito linda. Fez.
Quando ele me mostrou a letra eu disse: O que é que eu posso dizer...
Ele colocou tudo no passado. (Agora eu era herói e o meu cavalo só falava inglês..)
Porque quando ele tinha três anos, só falava assim exatamente desse jeito. Então aproveitou o gancho e colocou a vivência dele. E saiu uma das melhores letras que o Chico já fez.

De volta ao Corumbau


De férias, estivemos no início de janeiro/2010, de volta ao Corumbau.

Foi lá que tudo quase começou, há mais de vinte anos, quando tentei conquistar dona Jorgete plagiando o poema "Coqueiros", de Carlos Fernando, musicado por Geraldo Azevedo.

Estávamos com um grupo de amigos, num passeio de final de semana. Já fui pra lá com segundas intenções. Caçando. À noite, num concurso de poesia improvisado, inventaram de me provocar para fazer um poema pra Jorgete. O problema é que a inspiração para compor não vinha, como quase nunca vem para mim (risos). Tive que recorrer ao mestre Carlos Fernando (vejam só que audácia – risos). Mas tirei em segundo lugar. Acho que notaram tratar-se de um plágio, porque o poema é uma obra de arte, e não podia ter sido feito por qualquer um. Ele o fez quando voltou do Rio de Janeiro para morar definitivamente no Recife. A paisagem do lugar batia com a inspiração da música. A paquera com Jorgete e também a vontade retornar para Pernambuco, que sempre batia. Foi um prato feito pra mim (risos). Pelo menos nessa associação eu fui bem (mais risos). Vejam a beleza da obra no link abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=MGzA45rjWXc

Levei prancha de surf e tudo o mais, para encantá-la. E olha que Corumbau não tem praia para Surf. Eu estava realmente embasbacado. Não consegui sequer um selinho, enquanto estivemos na praia, durante o fim de semana. Apenas a vaga promessa, no domingo da volta, de que poderíamos jantar sozinhos na segunda-feira. Foi só depois do jantar, no meu fusquinha “bunda lisa”, placa 4664, de Cravolândia-BA, o mais bonito do Itamaraju, que aconteceu o primeiro beijo. Dentro do fusquinha, num escurinho que tinha em frente à Telebahia, na Praça Castelo Branco.

Depois voltamos outras vezes ao Corumbau e nunca conseguimos esquecer aquele lugar, mesmo quando estávamos em Recife. Dona Rita (mãe de Jorgete) tem uns terrenos lá, distantes da praia, e nos provoca para a construção de umas "ocas" de fim de semana. Mas ainda é muito complicado chegar ao Corumbau por terra (graças a Deus), o que inviabiliza a realização dessa tentação.

É uma maravilha de praia. Uma aldeia de índios pataxós, com uma ponta de terra que entra mar a dentro, entre o museu aberto do descobrimento (ao sul, antes da foz do Rio Caí) e a praia de Caraíva (ao norte, já próximo de Trancoso, distrito de Porto Seguro).

Novamente (como feito no início desse blog) o link da pousada Fazenda São Francisco (http://www.corumbau.com.br/), onde nunca ficamos, que descreve a beleza do lugar. Antes da pousada, funcionava ali a casa do então ministro Renato Acher, do governo Sarney. Ele costumava receber em sua casa, em fins de semana, o então deputado Ulysses Guimarães, que tive oportunidade de conhecer no Corumbau.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Você já me esqueceu...

GOMES - 08-11-2009:



A música “Você Já Me Esqueceu”, incluída no repertório que apresentamos no encontro de amigos do dia 11/set, no Depósitto, Armazém Caffé, não foi escolhida por acaso. Aliás, quase nada daquele repertório foi escolhido por acaso.

“Você já Me Esqueceu” está entre aqueles não muitos sucessos de Roberto Carlos que não foram compostos por ele, ou por ele e Erasmo. Quem compôs a música foi o grande Fred Jorge. Um desses artistas que passaram meio despercebidos/anônimos pelo meio musical/artístico, mas que deixaram um bom legado.

Fred Jorge Nasceu em Tietê, no interior de São Paulo, trabalhou inicialmente como produtor de programas de rádio na capital paulista. Foi também um iniciante do novelismo, de rádio e TV. Depois de sua passagem pelos Estados Unidos, de volta ao Brasil, explorou na sua musicalidade o gosto pela versão musical, principalmente de musicas americanas e européias.

A versão é muito mais que a tradução de uma música, é o encaixe de palavras e versos que não fujam à melodia original e não se separem muito do contexto da letra de origem. Também é preciso ser artista para compor versões. Não me refiro a algumas versões feitas para músicas de forró metálico, que deterioram um pouco a arte do versionismo.

Grandes sucessos como “Estúpido Cupido”, “Banho de Lua”, “Diana” (Não se esqueça meu amor/que quem mais te amou fui eu...), “A Nave dos Arrependidos” (...Espera um pouco/um pouquinho mais/Eu tenho tanto para te entregar/Espera um pouco/um pouquinho mais/O teu amor vai me matar), são todas versões de Fred Jorge.

Mas ele também fazia músicas por completo. Sucessos de Roberto Carlos como “A Palavra Adeus” (Eu, não posso compreender/porque tudo mudou pra mim/foi uma palavra só...), “O Dia a Dia” (Eu acho que a rotina do dia a dia..., feita em parceria com o grande Nenéu), e “Todos os Meus Rumos” (...Por mais que eu procure/Caminhar sozinho/Todos os meus rumos/Atravessam seu caminho/E por mais que eu tente/Desviar meus passos/Eu acabo sempre nos seus braços), são todas composições de Fred Jorge.

De todos os sucessos de Fred Jorge, cantados por Roberto Carlos, uma é especial, pelo menos para mim, e acho que marcou também alguns momentos da vida de muita gente. Trata-se de “Você já Me Esqueceu”, também gravada por Bartô Galeno e recentemente relançada por Fernandinha Takai, do Patu Fu. Veja o clip AQUI , da interpretação dela. Só ouça depois de baixá-la completamente. A música já é de uma cinematograficidade imensa. A conjugação da interpretação de Fernandinha, com a beleza da sua voz, do seu modo de cantar, do seu corpo e dos seus vestidos e saias longas, vira um enleio.

Meu irmão caçula, Heraldo, é mais “apaixonado” ainda do que eu, por Fernanda Takai. Lembro-me que há uns 6 anos, num show no Recife, ele conseguiu pegar a palheta da guitarra dela, que Fernandinha jogou na frente dagente. Ainda hoje ele guarda essa relíquia, com a "autorização" de sua esposa Jojó (risos).

Foi a música que mais me deu prazer em executar, na apresentação do dia 11 de setembro, no Depósitto.

Edezinho, guitarrista, Cleiran, baixista, e Ninho, tecladista da Banda Vitrine, garotos da faixa etária dos 18/20 anos, ainda não haviam ouvido essa canção. Foi daquelas musicas que ficaram para ser tocadas por último nos ensaios. Mas quando a gente foi executá-la pela primeira vez, no ensaio, confesso que não me contive. A gente ouviu umas duas vezes. Eles pediram para desligar o áudio e começar a cantar. Eu cantava, com o acompanhamento da banda, mas cantava sorrindo de alegria, pela capacidade desses músicos tão jovens, de ouvir uma canção desconhecida e executá-la imediatamente em seguida, com um arranjo que parecia melhor do que o de Roberto Carlos. São três jovens e grandes talentos musicais.

Meu Cofrinho de Amor

GOMES - 08-11-2009



Das recordações da minha infância, na Vila Mocó, além das peladas do final da tarde, após a concentração na casa de Dona Maria Cosme, marcaram bastante e influenciaram muito o gosto que tenho pela música, a audição matinal do programa do radialista Carlos Augusto.

Inicialmente era o “Forró na Cuia Grande”, na emissora Rural. Depois ele passou para a Rádio do Grande Rio (recém criada, com jingle e tudo do meu amigo Caíto, do Som da Terra, banda que encantava o barzinho “Meio do Mundo”, no Recife da minha chegada) e teve que mudar o nome do programa, salvo engano para “Forró da Mulambeira”. Acho que os nomes dos programas eram homenagens a sítios ou fazendas de propriedade do locutor. Carlos Augusto ainda hoje mora na Vila Mocó, na frente do abrigo de velhos. Outro dia estava falando para ele a respeito da sua importância para a minha “formação” musical.

Pois bem. Eu acordava todos os dias muito cedo, para ir à escola (Colégio Dom Malan, depois Escola de Petrolina), e ficava das 5 às 6 horas da manhã ouvindo um radinho ABC, que tinha na sala, onde dormia, na Princesa Isabel, 131, até minha mãe balançar os punhos da minha fianga (rede de dormir), pra lembrar do horário da escola, achando que eu estava drmindo. Foi através de Carlos Augusto que comecei a ouvir Luis Gonzaga (a partir dos cinco anos de idade), Jackson do Pandeiro, Marinês, Trio Nordestino, Os Três do Nordeste e Elino Julião, dentre vários outros importantes artistas do gênero forró e suas variações.

Mas eu queria me deter a Elino Julião, que ouvi bastante essa semana. Forrozeiro, ritmista de Luis Gonzaga e de Jackson do Pandeiro, potiguar da região do Seridó e que deixou uma discografia razoável de músicas, principalmente de forrós, mas que tendiam também para o ritmo brega romântico.

Elino Julião compôs coisa como Chô Galo (de Bartô Galeno) , O Burro , o clássico Puxando Fogo , Rabo do Jumento , regravado antes de sua morte, em parceria com Lenine, a nostálgica São João Alegre , Tá Faltando Paletó , um forró cheio de mulher, bom danado, e a chamegosa Xodó de Motorista . Mas de todas as sua músicas a que mais tenho lembranças é de Meu Cofrinho de Amor , essa já tendendo mais para sua musicalidade brega, saindo do forró, seu ritmo predileto. Essa música lembra muito a minha Tia Maria, irmã da minha mãe, que morava na Vila Eduardo.

Elino Julião faleceu de um aneurisma cerebral, em 2006, em Natal. Mas antes disso fez o CD “O Canto do Seridó ”, revisitando sua obra, com participações, além de Lenine – um declarado apreciador da sua música, que inclusive teria influenciado a sua formação – , de artistas como Maciel Melo, que cantou com ele “Amor Enchucalhado”, Dominguinhos, Fagner, Elba Ramalho, Silvério Pessoa, Marinês, Chico Science e Nação Zumbi, Xangai e Tetê Espínola, dentre outros.

Maciel Melo


GOMES - 18-10-2009:

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/16/um-forro-pe-de-serra/#comments

Nassif,

Maciel é de Iguaraci-PE, no Sertão do Pajeú, região de Pernambuco onde nasceu o grande Zé Dantas (de Tabira-PE), segundo maior parceiro de Gozaga e autor de “Riacho do Navio” (que corre pro Pajeú… pra despejar no São Francisco e bater no meio do mar). Mas o Riacho do Navio só encontra o Pajeú próximo à sua foz, em Floresta dos Navios, já perto do S. Francisco.

Fico imaginando a riqueza cultural dessa noite de forró em Custódia, cidade do Pajeú que fica entre Tabira e Serra Talhada (terra de Lampião e de Zé Marcolino – Sala de Reboco – , também no Pajeú). Serra é a terra do meu avô, Alcôncio.

Se pudéssemos voltar no tempo, certamente estariam nesse forró, Zé Dantas, Gonzaga, Lampião, Zé Marcolino, para cantar e se divertir ao lado de Lula, na beira do Pajeú vazio.

Pode ter certeza de que Maciel é a junção atual da capacidade de compor e interpretar dessa tríade (Zé Dantas, Gonzaga e Zé Marcolino) e certamente seria parceiro deles em várias músicas, vivessem na mesma época. É o maior representante atual da musicalidade e da poesia dessa região de riqueza cultural.

Maciel saiu de Iguaraci para Petrolina ainda menino, acompanhando o pai (poeta Heleno Louro) que migrou para trabalhar na construção da barragem de Sobradinho-BA. Hoje mora no Recife, onde participa da cena cultural pernambucana como um dos protagonistas.

http://www.macielmelo.com.br/

Eliana Pitmann, Geraldo Azevedo, Ivete Sangalo

GOMES - 17/10/2009



Esta semana descobri uma velha gravação de Eliana Pitmann e de seu pai, Booker PItmann, o mítico saxofonista americano que mudou-se para o Brasil. Curti a gravação, não apenas pela qualidade dos solos de Booker e dos arranjos excepcionais, mas da interpretação competente de Eliana, uma graça de voz, mal saída da adolescência.

Por coincidência li um anúncio no Globo, dela lembrando os 25 anos de morte do pai.

Ai vão as faixas desse disco antológico.

01 – Yes Sir, That’s my Baby
02 – Balao Apagado
03 – Love for a Star
04 – Bate que Bate
05 – Mama Don’t Allow – Samba de uma Nota So
06 – A Luz dos Seus Olhos
07 – St. Louis Blues
08 – You a Pe Ate La
09 – The Birds of the Blues

Por J. Gomes

Nassif,

Eliana Pittman foi quem deu grande apoio no início da carreira de Geraldo Azevedo, incentivando a sua ida ao Rio de Janeiro e gravando “Aquela Rosa”, música de autoria do artista pernambucano.

Geraldinho, por sua vez, tem uma pitada de participação no início da carreira de Ivete Sangalo. De famílias amigas (Gerlado é de Petrolina, Ivete de Juazeiro), Geraldo convidou Ivete para a abertura de um Show seu, no Centro de Cultura João Gilberto, quando Ivete ainda nem sonhava em ter dimensão nacional.

Nessa época Ivete cantava no barzinho “Primeira Estação”, na orla de Petrolina, acompanhada por sua irmã Mônica ao violão. Funciona hoje nesse lugar, aqui na orla, o bar/restaurante “Bacana”, local de comida boa e gente bonita.

É a roda viva da vida musical brasileira.

abraço

ZÉ GOMES

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/10/17/booker-e-eliana-pitmann/

Bartô Galeno e Vila Mocó



Com o cancelamento do show de Zé Augusto, na noite da sexta-feira, 09-10-2009, fomos ao Clube América, na Areia Branca, ver o show de Bartô Galeno.

Foi bom relembrar momentos dos áureos tempos da Vila Mocó, bairro em que fui criado em Petrolina. Bartô Galeno era a trilha sonoro que movia a “concentração” na casa de Dona Maria Cosme (está velhinha, mas ainda vive lá), no final da Rua Vasco da Gama, regada a Pitú e Serra Grande (tomada pelos pinguços adultos), antes das peladas do final da tarde, sob comando de Galêgo, no campinho do antigo aeroporto, na Vila (atual sede da APAE). Bartô também era o som que embalava a pinhãozada que construía a Barragem de Sobradinho. Velhos tempos de menino.

A Vila Mocó era estimagmatizada como um bairro de caceteiros (brigões). O núcleo do bairro chamava-se “Cacete Armado”, não sem sugestividade. Os times dos outros bairros tinham medo de jogar na Vila. Se perdessem, apanhavam menos. Se ganhassem, o pau comia depois do jogo. Era porrada mesmo. Atualmente brinco com meus amigos, quando lembro dos nomes dos amigos, colegas e conhecidos do bairro, daquela época: Tico de Chá Preto, Toinzé, Dió, Sanhaço, Fera, Toinho de Dára, Jorge Caborge, João de Bié (cujos neurônios foram carcomidos pela maconha e ainda hoje vegeta na rua da minha mãe, sempre me pedindo R$ 1,00 pra compra cigarros normais), Roberto Maguinho.... Mas de todos, o mais temido era Negão do Picolé (Zé de Delza), morto ainda jovem, como vários deles. Outros ainda hoje estão por lá. Eu fui sempre um jogador mediano e medroso (também, tive que sair da Vila aos 17 anos de idade), mas existiam alguns craques por lá, como Paulinho de Iaiá e Rubem de Anorata (como eu, com passagem completa pela UFPE, o engenho do pensamento da Várzea – Talvez os dois únicos dessa geração graduados por ela – ). Esses últimos, se fossem levados para times grandes teriam chances de ficar famosos no futebol. Hoje a Vila é um bairro quase nobre, atrás do estádio, próximo ao centro da cidade. O centro se aproximou dela.

Pois bem, o show de Bartô reuniu cerca de duas mil pessoas e durou quase três horas. Ele troxu apenas um tecladista e o guitarrista (muito bons). Fez um ensaio à tarde com Alan, grande saxofonista do Pega Leve, daqui de Petrolina, fechou um quarteto. O público era formado por devotos e isso atrapalhou um pouco a apresentação. O palco era pequeno e as pessoas queriam estar próximas do ídolo, inclusive subindo no palco (eu me contive). Mas valeu!

Bartô nasceu em Sousa-PB, mas foi criado em Mossoró, terra de Carlos André, outro grande compositor de bregas e forrós, parceiro de Alcimar Monteiro e maior parceiro musical dos sucessos de Bartô Galeno, entre eles os clássicos “No Toca-fitas do meu carro” e “Só Lembranças”.

Filmei algumas coisas do show com o celular, mas o som ficou muito ruim. Peço desculpas pela falta de qualidade sonora. Coloquei no YOUTUBE (http://www.youtube.com/watch?v=41_s-r6siE0) o clip de “Só Lembranças”, ultima música executada no show, lá pelas 4:20hs da madrugada, e um link (http://palcomp3.com/bartogaleno/ ) para outros sucessos do artista.

Estréia da banda

GOMES - 20-09-2009:



No dia 11-09-2009, no Depósitto, Armazém Café, cedido especial pelo amigo Herbert Caffé, fizemos um sarau romântico para os amigos de Petrolina e Juazeiro, que entrou madrugada a dentro.

A idéia de juntar alguns músicos e fazer uma apresentação pública me perseguia desde que retornei do Recife para minha terra, há mais de um ano. Somente agora isso foi possível.

Para mim foi uma noite muito descontraída e prazerosa. Espero que tenha sido assim também para os amigos que estiveram presentes.

O repertório dessa apresentação inicial foi essencialmente romântico, com foco em músicas que fizeram sucesso ou que nos remetem a algumas boas lembranças dos anos 80 e 90, principalmente.

Infelizmente esquecemos de fazer imagens animadas da apresentação. Depois do show conseguimos pegar com a amiga Ziane as fotos (álbum aqui) que ela voluntariamente tirou e o único CLIP (acesse aqui) que fez, de uma das músicas.

A banda é formada pelos músicos Edezinho (guitarra), Cleiran (baixo), Guiga (na bateria), Ninho (teclado), Jorge (percussão), além de Zé Gomes no vocal.

Nos próximos dias tentaremos juntar novamente os amigos em uma outra apresentação do repertório romântico, com atualizações, de preferência num espaço boate, e no mês de outubro tentaremos apresentar um show exclusivamente com músicas de Fagner, se possível no Quintal do Poeta Manuca Ameida, com quem estamos verificando essa possibilidade.

Abaixo as músicas da apresentação de 11-09-2009, na seqüência em que foram apresentadas, além do metrônomo e do tom.

Muito grato a todos

135 Do#_ Faz de Conta – Gian e Giovani (versão de Carlos Colla)
73 Ré+ Declaração de amor – Daniel (Altay Veloso)
60 Ré+ Interfone - SPC (Altay Veloso)
110 Dó+ Abre coração – Marcelo (Marcelo / Jim Capaldi)
63 Fa Vitrine – Ruban (Ruban)
78 Ré+ Cinderela – Ruban (Ruban)
136 Pareço um menino (Piska/César Augusto)
82 Fá Cruzando Raios – Orlando Moraes (Orlando Moraes/Tony Costa)
60 Ré+ Matemática (Peninha)
85 Mi Nua (Ana Carolina/Vitor Ramil)
72 Lá+ Me liga (Herbert Vianna)
146 Romance Ideal (Paralamas)
0 Fa Apenas mais uma de amor (eu gosto tanto de você..) - Lulu/Nelson Motta
93 Sol+ Certas coisas - não existiria som, se não houvess...(Lulu/Nelson Motta)
84 Sol+ Você já me esqueceu - Roberto Carlos (Fred Jorge)
Si_ Um dia um adeus (Guilherme Arantes)
Sonhos (Peninha)
0 Mal de mim (Djavan)
Outono (Djavan)
Você bem sabe (Djavan)
105 Ré+ Mande nem que seja um telegrama (Odair José)
110 Uma vida só (para de tomar a pílula)
58 Mi+ Vou Tirar Você desse lugas (Odair José)
130 Cheia de Charme (Guilherme Arantes)
130 Fa#- Menina Veneno (Ritchie/Bernardo Vilhena)
130 Um certo alguém (Lulu Santos)
95 Do+ Eva - Rádio Táxi (Versão: M. Ficoreti)

Paula Toller

Sexy, eu?

Por Clarice Muniz



Fotos Christian Gaul

Aos 45 anos e 25 de carreira, a cantora, casada, mãe e feliz, finalmente aceitou o título de símbolo sexual: ''Ok, vocês venceram, mas agora agüentem!''

Ela faz graça sobre a própria beleza e diz que gosta da "energia masculina". Paula Toller, 45 anos (imperceptíveis), diz a revista Contigo! que admira a pegada afirmativa dos homens, do tipo "eu faço", "deixa comigo", mas acredita que muitas mulheres fortes têm a voz mais delicada e elegante - como a sua. "Não é necessário gritar e parecer um homem para realizar as coisas", analisa. Paula está em sua segunda jornada-solo, longe da banda que a trouxe para a linha de frente do pop nacional, o Kid Abelha. Com o recente CD, SóNós, ela completou 25 anos de carreira desde que encontrou os amigos e companheiros de banda na PUC do Rio de Janeiro - Leoni, 46, e George Israel, 47, além do guitarrista Bruno Fortunato, 51, no início dos anos 80. Prestigiada pelos homens, ela só tem olhos para o marido, o cineasta Lui Farias, 49, com quem está casada há 20 anos, e para o filho do casal, Gabriel, 18. "Se eu encontrasse uma lâmpada mágica e pedisse a um gênio o homem perfeito, duvido que ele chegasse perto do que é o Lui. Até os defeitos dele são perfeitos!", ela se declara.

Lágrima do sul

GOMES - 11-12-2007:

A canção "Lágrima do Sul" não é só mais uma das boas músicas de protesto contra o regime do "apartheid" na África do Sul, é talvez a mais bela do gênero, feita por artista brasileiro. Eu a colocaria no patamar de “Soweto”, de Djavan. Como o movimento racista da África do Sul deu uma aliviada, há alguns anos, a canção perdeu um pouco a razão de ser, enquanto protesto, mas não perdeu sua grandeza melódica e percussiva, sem falar da letra, um raro poema de amor por um continente. Recorde AQUI uma das interpretações da obra, na voz do autor Milton Nascimento, com o grupo Uakti (grupo forrmado sob a influência do instrumentista suíço-baiano Walter Smetak), que tirou seu nome de uma lenda indígena dos índios Tukanos, do Alto Rio Negro (depois meus amigos Marcelo Rosa e Marcelo Fonseca ainda vão dizer que não gosto de tucano).

Drão

GOMES - 10-12-2007:

“Há canções de maturação, que começam por uma pílula de criação – por uma gota que colore a água no jarro e vai decantando; um dia você pega aquele precipitado lá no fundo e trabalha nele. É um modo, um jeito de compor. Há canções que demandam esforço concentrado por considerável período de tempo de realização intensiva. Drão está entre essas”.

É assim que Gilberto Gil começa uma narrativa de explicação sobre a dificuldade de compor e a respeito de como concebeu a música Drão, uma das mais belas obras da música brasileira.

A criação de Drão teria apresentado para ele elevado grau de dificuldade porque lidava com um assunto denso – o amor e o desamor, o rompimento, o final de um casamento. Foi uma canção feita para Sandra (Sandrão, Drão) e para si próprio.

“Eu me lembro de estar sentado no chão, anotando frases no caderno, com o violão do lado, e de repente sentir o sufoco do coágulo da criação, e ao mesmo tempo a iminência da explosão da via criativa, e não agüentar, saindo dali e indo para o quarto me deitar e deixar, então, aquele coágulo se dissolver, criando filetes que se encaminhavam pra aqui e pra ali... Aí o cérebro e o coração intumesciam, algumas idéias fluíam, e dois, três ou quatro versos saíam. Satisfeito eu fechava o caderno e ia cuidar da vida. Saia, passava o dia fazendo outras coisas, chegava de noite e eu retornava; ficava a madrugada toda de novo... ...fazer música é uma loucura, quando você se coloca tantos problemas”

No final da sua última estrofe, a música traz uma das construções típica do profundo senso criativo de Gil: “....Quem poderá fazer/Aquele amor morrer/Se o amor é como um grão!/Morrenasce, trigo/Vivemorre, pão.”

Aqui a canção é executada por Caetano Veloso

Laços

GOMES - 09-12-2007:

Vejam o curta brasileiro vencedor do concurso de curtas do YouTube. Produzido por Adriana Falcão e realizado por Flávia Lacerda. Concorreu com mais de 3.500 vídeos de todo o mundo. Narra, em seis minutos, um encontro entre dois jovens, cheio de racionalidade e poesia. (veja aqui).

Tanga de sereia

GOMES - 27-11-2007:

Costumo dizer que Recife é uma cidade brega, sem qualquer intuito pejorativo. As rádios tocam brega sem paralelo em outros grandes centros. O povo da cidade gosta de brega. Os artistas bregas, do passado e do presente, encontram no Recife um bom mercado. Nesse contexto, mas com interesse diferenciado, surgiu a “banda” “tanga de sereira”, por obra do publicitário Paulo Trajano,compositor e guitarrista da tanga, ex-Gruponove, criador de comerciais de sucesso e ex-roqueiro da banda “cavalo do cão”, do início do movimento "manguebeat".

Mas a proposta da "tanga" é de um brega cult, consciente, estilizado e debochado, inspirada nos anos 70, de Evaldo Braga (de quem meu amigo Aldísio Venâncio é fã), Diana (de meu amigo Xexéu), Odair José, Reginaldo Rossi... A idéia de Trajano é associar à banda estratégias de marketing, trabalhando-a com visão publicitária, fazendo inclusive a exploração (no melhor dos sentidos) dos canais do vasto mercado brega da cidade, incluído aí as carrocinhas dos vendedores de CDs piratas.

A cantora é a atriz Daniela Gouveia, garota propaganda de diversos comerciais e, como Lazaro Ramos e Vagner Moura (cada qual no seu lugar), também filha artística do nosso grande João Falcão. O clip de "o homem do gás" , vejam que gréia, é protagonizado pela atriz Hermila Guedes (sertaneja de Cabrobó que fez Elis Regina em recente especial da Globo), também curtidora da sátira.

GOMES, direto de Petrolina.

Quintal do poeta Manuca Almeida

GOMES - 26-11-2007:

O “quintal do poeta” Manuca Almeida, em Juazeiro-BA, faz aniversário no próximo sábado, 01/12/07, com show de Alexandre Leão. O quintal é um dos poços de cultura do Pólo Petrolina-Juazeiro, de Geraldinho Azevedo, Ivete Sangalo, Luiz Galvão, João Gilberto... Manuca Almeida é co-autor de "esperando na janela" , com Targino Godim. Alexandre Leão dispensa apresentações. Vejam vídeo de show do artista no quintal . Estaremos lá para conferir.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Carlinhos Brow

GOMES - 11-11-2007:

No JC de hoje, José Teles escreve sobre o lançamento do novo disco de Brow, "A gente ainda não sonhou" ( veja aqui , para assinantes do JC ou da UOL). Por telefone, Carlinhos contou a Teles como conheceu, aos oito anos de idade, o compositor Michael Sullivan, então vocalista da banda Renato e seus Bue Caps, assistindo aos shows em Salvador com os ingressos doados pela mãe de Raul Seixas a um instituto de cegos da cidade: "naquele tempo eu ia com os ceguinhos para tudo quanto é show". A música "Te amo família" é uma das cerca de cem canções compostas em parceria com Sullivan, a quem considera o “hitmaker” brasileiro. Carlinhos tem passado a maior parte do tempo fora do Brasil, principalmente na Europa e América do Norte, onde consegue reunir platéias de até 200 mil pessoas. Na espanha é conhecido como Carlito Marrón . No novo CD Brow toca todos os instrumentos e assina todas as músicas, mas recebe a participação de Jaques Morelembaum em uma das faixas. O artista diz com, certa ironia, não conseguir entender o fato de ser o artista nordestino que mais recebe Ecad, sem que seus discos toquem nas rádios. "Goodbye hello" é a musica que abre o novo disco. A percussão no hit é feita com surdos virados, uma erudição de Brow, que dispensa baterias na faixa. Em "Marina dos mares" Carlinhos tenta reescrever "Marina", de Caymmi, cumprindo uma promessa que fez num dos aniversários do mito. O novo CD, segundo Teles, é um trabalho radiofônico e quase todas as faixas podem ser escolhidas para ser carro chefe.

Ai se sesse

Gomes - 29-02-2006:

Eu ainda não consegui aprender a gostar(me desculpem a sinceridade), mas o show de Lirinha e sua troupe do “Cordel do Fogo Encantado”, encantou o Marco Zero na noite/madrugada de domingo pra segunda-feira de carnaval no Recife.

Não é que o cara, com aquele jeito de beato, consegue arregimentar uma legião de seguidores a recitar suas poesias de cordel e cantar suas músicas sincopadas em pleno domingo de carnaval do Recife!

E não foi só eu que me surpreendi não, o próprio Lirinha estava surpreso. Em determinado momento do show, em êxtase, ele confidenciou que alguém teria tido a infeliz idéia de lhe soprar no ouvido, no camarim, pra que não inventasse de recitar seus versos, como faz nos shows normais. O público desdenhou e regozijou-se junto com o artista.

Foi depois dessa reflexão que ele soltou essa pérola do poeta centenário Zé da Luz, um dos pais (ou sogro) intelecual de Jessiê Quirino e de outros poetas populares. O poema “Ai Se Sesse” é realmente um achado do cancioneiro popular do nordeste:

“Se um dia nois se gostasse/Se um dia nois se queresse/Se nois dois se empareasse/Se juntim nois dois vivesse/Se juntim nois dois morasse/Se juntim nois dois drumisse/Se juntim nois dois morresse/Se pro céu nois assubisse/Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse a porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice/E se eu arriminasse/E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse/E a minha faca puxasse/E o bucho do céu furasse/Talvez que nois dois ficasse/Talvez que nois dois caisse/E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse”. E o que seria uma espécie de abertura do show de Lenine (e seus convidados Zélia Duncan, Vanessa da Mata e Gabriel, O Pensador) acabou virando a atração principal da noite. A praça do Marco Zero ficou visivelmente menos cheia quando encerrou-se o show da banda de Arcoverde. E não tinha nada mais atraente do que Lenine lá pela Rua da Moeda que pudesse ter deslocado alguns beatos de Lirinha para lá.

Maria Betânia

Gomes - 26-02-2006:

A grata surpresa do carnaval de Pernambuco foi a presença singela de Caetano Veloso, que veio para apreciar o carnaval de pernambucano como folião. Caetano, que recentemente recebeu da Assembléia Legislativa do estado o título de Cidadão Pernambucano, apesar de baiano parece possuir ligações transcendentais com a cultura do nosso estado.Com apenas 4 anos de idade Caetano conseguiu se encantar com um choro de Capiba, interpretado por Nelson Gonçalves, que fazia sucesso nos idos de 1945/46(é, Capiba não compunha apenas frevos): “Maria Betânia tu és para mim a senhora do engenho/em sonhos te vejo/Maria Betânia és tudo que tenho/quanta tristeza/sinto no peito/só em pensar/que o meu sonho está desfeito..”.Maria Betânia, a irmã de Caetano, nasceu em 1946, em Santo Amaro da Purificação, cidade do fundo do reconcavo formado pela Baía de Todos os Santos. Caetano implicou que o nome da irmã deveria ser Maria Betânia, por causa da música de Capiba. Diante da existência de outras pretensões de nomes entre os parentes, seu Zeca (pai de Caetano, chefe do correio de Santo Amaro) encontrou uma maneira democrática de atender o menino Caetano. Promoveu um sorteio, colocando em papeis todos os nomes sugeridos. Ainda hoje Caetano suspeita de que o seu Zeca tenha escrito o nome de Maria Betânia em todos os papeis utlizados no sorteio.

Já na adolescência, Caetano acabou indo para Salvador na posição secundária de guardião de Betânia, que o pai queria ver estudando na capital. Daí até conseguir para ela um bico como cantora num bazinho de Salvador foi um pulo.

Um certo dia, de passagem por Salvador, Nara Leão se encanta com a jovem cantora e a convida para substituí-la durante as férias, no legendário show “opinião” – dos primeiros a protestar contra a ditadura – espetáculo que fazia numa casa noturna do Rio com Zé Keti e João do Vale. Caetano segue junto, a reboque, e começa a se tornar conhecido como compositor, por meio das interpretações de Betânia que logo em seguida grava seu primeiro disco.

Voltando à ligação com Pernambuco, Caetano exerceu grande influência (tendi sido depois também influenciado) na vinda de Gilberto Gil(ainda anônimo) a Pernambuco, na juventude, onde passou cerca de dois meses entre Caruaru e Afogados da Ingazeira, fazendo leituras da arte de Sebastião Biano e seus comparsas da Banda de Pífanos de Caruaru, além dos poetas de Cordel do Sertão do Pajeú, como mestre Lourival Batista. O movimento “Tropicália”, segundo o próprio Gil, teria sido influenciado pela junção dos Beatles(que conheceria anos depois de deixar Caruaru, já no exílio em Londres) e a Banda de Pífanos (os Beatles de Caruaru). Chico Science teria sido um neto cultural desça influência.

Há alguns anos o "pernambucano" Caetano produziu o Show e álbum “Noites do Norte”, a partir de suas leituras e releituras sobre a obra do seu "conterrâneo" Joaquim Nabuco

Caetano e seu sonho de infância

Gomes - 25-02-2006:

Caetano Veloso desertou do carnaval da Bahia. Foi realizar o sonho de infância dele - passar o carnaval no Recife. O baiano lembrou que nunca havia sido apresentado ao frevo em sua terra de origem e admitiu que a folia na Bahia não é lá tão criativa: - Durante muito tempo, o carnaval da Bahia copiou o do Recife e do Rio, usando o frevo e o samba em seu repertório. A Bahia tem hoje muito axé music. Posso dizer que sou avô do axé music e o Moraes Moreira é o pai. Caetano esteve no Galo da Madrugada e disse que seu próximo compromisso no Recife será conhecer o maracatu (dança que surgiu nas senzalas e que usa apenas instrumentos de percussão). - Realizei um sonho de infância. Queria muito conhecer a folia da capital pernambucana.
Enviada por: Ricardo Noblat